Discursivização sobre indisciplina e doenças do não se comportar nos anos iniciais do ensino fundamental na perspectiva da medicalização da educação

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Doirado, Edmilson Fernandes [UNESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual Paulista (Unesp)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11449/202222
Resumo: A indisciplina escolar tem sido tema de inúmeras discussões entre aqueles que atuam na área educacional, de maneira que a discursivização sobre esse tema, no ambiente escolar, assume relevância, pois a depender da maneira como é compreendida e enfrentada nesse ambiente pode se constituir num entrave aos processos de ensino e aprendizagem, bem como fomentar prejuízos ao exercício da função docente e ao processo de apropriação de conhecimentos, por parte dos alunos tidos como indisciplinados. Predominantemente, têm sido atribuídas causas individuais circunscritas ao aluno e a aspectos de sua realidade como responsáveis pelos comportamentos comumente caracterizados, na escola, como indisciplina, sem a apropriada reflexão acerca das implicações de aspectos sociais e educacionais que justificam ou agravam tais comportamentos, o que contribui para o fortalecimento do discurso acerca das doenças do não se comportar e, consequentemente, do processo de medicalização da educação. Sob esta hipótese espera-se responder ao seguinte questionamento: “Os modos como a escola e seus atores compreendem a indisciplina e o não se comportar contribui para a medicalização de comportamentos e, consequentemente, do processo de escolarização de alunos considerados indisciplinados?” Frente a esse questionamento e amparado por pressupostos bakhtinianos e vigotskianos, esse estudo foi empreendido com o objetivo de compreender como quatro alunos de segundos e terceiros anos do ensino fundamental, tidos como indisciplinados, seus respectivos professores e a diretora da unidade escolar discursivizam a indisciplina e as questões do não se comportar em sala de aula. Para tal, realizamos pesquisa de campo com uso do discurso livre com esses protagonistas, vinculados a uma escola, da rede pública estadual de um município de pequeno porte do interior paulista, considerada, como a que apresenta, nos anos iniciais do ensino fundamental, o maior índice de situações de indisciplina, em sala de aula. Também empreendemos pesquisa documental, a partir da documentação pedagógica acerca dos alunos considerados, por seus professores, como indisciplinados. Para a análise dos dados, à luz da teoria enunciativo-discursiva, consideramos os enunciados orais dos protagonistas e os enunciados escritos registrados, nessa documentação, sobre os alunos tidos como indisciplinados, representativos do discurso da escola implícita e/ou explicitamente refratado nesse contexto. Considerando os enunciados orais e escritos discursivizados pelos protagonistas, foram revelados a partir dos dados produzidos, três eixos de análise: “Os sentidos sobre a indisciplina e o não se comportar em sala de aula nas vozes dos alunos e da escola”, que compreendeu os sentidos que cada protagonista atribuiu à indisciplina escolar e às questões do não se comportar; “A perspectiva tradicional e homogeneizadora de ensino: responsabilização, culpabilização e punição sobre o não se comportar”, que discutiu sobre o processo de normalização e normificação do comportamento, a partir do modelo de escola, além de ressaltar, os modo como a escola busca culpabilizar o aluno e aspectos de sua realidade como o único responsável pelas situações de indisciplina em sala de aula; e “Rótulos e estigmas discursivizados sobre o aluno: implicações para as doenças do não se comportar”, que trata da questão dos rótulos e estigmas refratados pela escola sobre o aluno, que contribuem para o fortalecimento do discurso acerca das doenças do não se comportar. Com este estudo esperamos contribuir para a ampliação da discussão acerca dos sentidos sobre indisciplina, nas situações em que se encontra relacionada às doenças do não se comportar, discursivizados no contexto escolar, com vistas a uma maior compreensão, por parte de profissionais da área da educação e saúde, sobre os malefícios do processo de medicalização da educação.