Prevalência de dor ou lesão musculoesquelética em praticantes de treinamento resistido em Brasília/DF, Brasil : um estudo transversal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Mota, Maria Augusta de Araújo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.unb.br/handle/10482/51522
Resumo: Contextualização: Os distúrbios musculoesqueléticos (DM) nos esportes constituem um importante prejuízo à saúde e podem afetar, de forma significativa, a qualidade de vida de seus praticantes. A maioria dos estudos de prevalência de dor ou lesão (DL) no esporte foram realizados em países de alta renda, com características distintas dos países de média e baixa renda. Há falta de estudos grandes e de alta qualidade, investigando a prevalência de dor ou lesão musculoesquelética em praticantes de treinamento resistido (TR) no Brasil. Objetivo: Estimar a prevalência de DL em praticantes de TR na cidade de Brasília/DF, Brasil, utilizando um contingente amostral que se aproxime das características sociodemográficas da população brasileira, seguindo todas as diretrizes existentes sobre a condução de estudos de prevalência específicos para DM. O objetivo secundário foi investigar os fatores associados à prevalência de dor ou lesão. Métodos: Este estudo transversal recrutou 730 praticantes de TR de ambos os sexos, com idade igual ou maior a 18 anos; praticante regular de TR, que treinasse em uma academia de Brasília/DF registrada no CREF-7, que não tivessem sido submetidos à cirurgia no sistema musculoesquelético nos últimos 6 (seis) meses e não tivessem fratura no momento da coleta de dados. A coleta de dados foi realizada em quatro academias em Brasília-DF, que autorizaram a realização da pesquisa em suas dependências. Os participantes foram convidados a participar do estudo de acordo com o fluxo de chegada ou saída nas academias, no período de maio a dezembro de 2022. Entrevistas e perguntas autoadministradas foram usadas para estimar a prevalência de DL pontual, nos últimos 30 dias e nos últimos 12 meses. Além disso, foram coletadas informações sociodemográficas, regiões anatômicas acometidas por DL e características do treinamento. Resultados: A estimativa de prevalência pontual de dor foi de 20,3% e lesão 7,4%, prevalência nos últimos 30 dias para dor foi de 37,7% e lesão 12,8%, e a prevalência nos últimos 12 meses para dor 42% e lesão 79,7%. Sendo observado que os valores de prevalência, tanto para dor quanto para lesão, apresentaram um gradiente de crescimento em função do aumento do tempo relatado. As regiões anatômicas com maiores indicações de acometimento por dor foram a coluna lombosacral (34,3%), ombro (33%) e joelho (32,7%). As regiões anatômicas acometidas por lesão mostram, em destaque, as regiões do ombro (31,1%), coluna lombosacral (29,1%) e joelho (14,9%). No modelo de regressão logística ajustado para analisar os preditores de dor ou lesão, quatro variáveis se apresentaram como fatores determinantes de dor e lesão, sendo duas com efeito protetor e duas com efeito de aumento de chances. Como efeitos protetivos foram identificados o estado civil ‘casado’, em relação ao ‘solteiro’ (OR = 0,60; IC 95%: 0,39 a 0,91; p-valor = 0,017) e ‘instrutores presentes ativamente na academia fazendo correções nos treinos’ (OR = 0,52; IC 95%: 0,30 a 0,90; p-valor = 0,02). As variáveis preditoras que apresentaram aumento de chances foram a faixa etária 30 a 39 anos, em comparação à faixa de 18 a 24 anos (OR = 2,02; IC 95%: 1,13 a 3,61; p-valor = 0,018) e a necessidade de modificação/adaptação do treino com duas categorias: ‘muito frequentemente’ (OR = 4,85; IC 95%: 1,41 a 16,72; p-valor = 0,012) e ‘frequentemente’ (OR = 2,61; IC95%: 1,53 a 4,44; p-valor < 0,001), ambas em relação à categoria ‘nunca’. Discussão e Conclusão: Este foi o primeiro estudo de prevalência de dor ou lesão entre praticantes de treinamento resistido, realizado na cidade de Brasília/DF. A prevalência de dor ou lesão musculoesquelética no último ano é maior que os dados existentes em países desenvolvidos. Os resultados deste estudo poderão ser utilizados para o direcionamento de políticas públicas e de financiamentos em pesquisas, a fim de abordar questões-chave e esforços coordenados do governo, setor privado, universidades e profissionais que atuam na saúde desportiva, para oferecer uma gestão adequada dos distúrbios musculoesqueléticos em países de renda média.