Desenvolvimento da argumentação mediado por recursos transmídia em crianças

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Holanda, Lêda Maria de Carvalho Ribeiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unb.br/handle/10482/39032
Resumo: A argumentação é atividade discursiva dialógica, que se caracteriza pela defesa e confronto de pontos de vista. Considerada uma atividade inerentemente epistêmica, é importante para que o indivíduo seja capaz de tomar decisões racionais, avaliar fenômenos sociais, tornar-se cidadão consciente e participativo, trabalhar em equipe, em situações de resolução de problemas e construir seu conhecimento. A argumentação é fundamental na vida das pessoas e a prática argumentativa poderia ser estimulada como um comportamento cotidiano, necessário e aprendido desde os primeiros anos de formação. Esse estudo analisou as dinâmicas do processo de mediação por recursos transmídia no desenvolvimento da argumentação em crianças, entre 6 e 7 anos, alunas do primeiro ano do ensino fundamental. O estudo enfatizou a relação entre a mediação por recursos transmídia e o processo de desenvolvimento da argumentação em crianças pequenas, configurando-se assim o fenômeno central da investigação. Sabemos que a mudança cultural repercute no desenvolvimento da criança, de forma que a introdução desses recursos provavelmente também configurou uma nova forma de mediação na construção do conhecimento. A reflexão buscou compreender o processo de desenvolvimento da argumentação ao se promover a mediação através desses recursos, com foco na criança, que se constituiu como protagonista no processo de mudança. Realizou-se uma investigação de cunho qualitativo, sob a perspectiva teórica da psicologia cultural, que compreende a cultura como parte integrante, como a essência na constituição do indivíduo. Seis crianças, alunas do primeiro ano do ensino fundamental de uma escola privada da cidade de Teresina/PI, participaram do estudo. As atividades foram realizadas no decorrer de cinco momentos. Para a composição das informações utilizamos observação, filme, jogo digital, gravação de vídeo, tirinhas, fantoche e elaboração de desenhos. Foram criadas estratégias e promovidas condições de interação entre as crianças, o fantoche, a pesquisadora e as demais ferramentas, para que se pudesse observar as construções argumentativas produzidas na intersubjetividade. Os dados observados foram submetidos a uma análise microgenética em quatro níveis, que nos permitiu identificar a relação entre o desenvolvimento da argumentação em crianças e a mediação por recursos transmídia, incluindo o modo como se deu esse processo. Esse estudo é uma oportunidade de refletir sobre questões atuais, que fazem parte do nosso cotidiano; bem como sobre a importância de se promover o desenvolvimento da argumentação em crianças pequenas, permitindo o desenvolvimento do pensamento reflexivo e consequentemente a construção do conhecimento. Os resultados indicaram que a argumentação é aprendida na intersubjetividade, através de negociação dialógica, quando há em jogo forças intersubjetivas com uso de estratégias, com pedidos de esclarecimento, espelhamento e problematização por parte do adulto, e de réplica simples e réplica elaborada produzidas pelas crianças. Ao desenvolver a narrativa transmídia, por meio da gravação de um vídeo, a inserção de obstáculos promove desenvolvimento, em que a criança parte da experiência concreta e vai para o exercício simbólico, sai do uso de razões individuais para razões coletivas.