Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Fernandes, Bruna Carvalho |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://repositorio.unb.br/handle/10482/51980
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Resumo: |
A ilusão de Müller-Lyer é uma ilusão visual onde dois segmentos de reta de comprimento idêntico parecem ter tamanhos diferentes devido à presença de setas em suas extremidades. Essa diferença influencia a interpretação visual das distâncias relativas dos segmentos de reta e, assim, essa ilusão demonstra como a percepção visual humana pode ser influenciada pelo contexto e pela interpretação do cérebro em relação ao processamento de informações visuais. O estudo do processamento cerebral desta ilusão é muito esclarecedor para entender as dinâmicas envolvidas na estração tanto de informações visuais mais básicas (como retas, cores e contrastes) quanto mais complexas (como interpretação de perspectiva e identificação de objetos). O sinal de eletroencefalograma é resultado da medição de potenciais elétricos na superfície da cabeça e esta técnica tem sido muito utilizada para estudar, de forma não-invasiva, a atividade cerebral associada a vários processos cognitivos. Em especial, uma aplicação do EEG que é muito útil para estudar a resposta do cérebro a estímulos é o uso de estímulos relacionados a eventos (do inglês, event-related potentials - ERPs. No caso do sistema visual, os ERPs permitem analisar a atividade elétrica cerebral média em resposta a diferentes estágios do processamento visual, contribuindo para a compreensão de como funciona a integração e interpretação das informações visuais pelo cérebro. Este estudo explora a dinâmica da percepção visual por meio do uso da ilusão de Müller-Lyer e das técnicas de Eletroencefalograma (EEG) e potenciais relacionados a eventos (ERPs) para entender como diferentes configurações dessa ilusão afetam a percepção dos participantes. Por meio deste trabalho foi possível melhor entender a dinâmica do processamento de informações visuais presentes na ilusão de Müller-Lyer e entender qual tipo de processamento predominante para geração do efeito ilusório, bem como quais vias estão envolvidas no processamento extra-estriatral desta ilusão. Tais resultados permitem um melhor entendimento sobre o funcionamento do sistema visual humano e, por ser uma ilusão que possui muitos estudos em primatas não-humanos e com efeito conhecidamente preservado nestes animais, permite também um melhor entendimento sobre a própria evolução biológica do sistema visual. A metodologia envolveu a apresentação de várias versões de imagens associadas à ilusão a indivíduos saudáveis, medindo as respostas eletrofisiológicas para identificar padrões específicos de processamento visual. As imagens apresentadas consistiram na versão de Brentano da ilusão de Müller-Lyer e algumas variações desta - totalizando 12 imagens. As imagens utilizadas consistiram em variações (1) do tipo das setas centrais, (2) de direcionamento das setas das pontas e (3) de posição da seta central. Foi solicitado que os participantes olhassem as imagens durante um tempo de 20ms e indicassem se a seta/reta localizada na parte central da imagem estava dividindo as retas em posições iguais ou não.Foram calculados tanto os ERPs brutos obtidos a partir das respostas médias dos participantes perante cada modalidade e imagem, bem como também foram feitas subtrações destes ERPs para isolar componentes cognitivos de interesse, também foram analisados os mapas de superfície (scalp maps) médio dos participantes ao longo do tempo e medidas comportamentais como a acurácia e o tempo de resposta médio dos participantes perante cada bloco da tarefa. Para os resultados obtidos para os ERPs brutos, em todas as modalidades de imagens foram elicitados componentes do tipo N100 e P170 no eletrodo Fz, bem como um componente N170 no eletrodo Pz e um componente N400 em todos os eletrodos. Para os resultados obtidos da subtração dos ERPs, por sua vez, não houve um processamento diferencial em nenhum dos eletrodos selecionados ao isolarmos o processamento do julgamento de uma mesma reta sob diferentes marcações centrais, no entanto, os resultados do processamento do julgamento de uma mesma posição da marcação central para as diferentes retas demonstraram uma diferença entre os sinais comparados - sobretudo, nos eletrodos parietais e occipitais. Os resultados indicaram possíveis diferenças significativas nas respostas cerebrais associadas a variações da ilusão apresentadas, destacando a influência dos aspectos geométricos no processamento perceptual e a possível prevalência do processamento do tipo bottom-up na via de processamento desta ilusão. |