Integrando agricultores familiares à promoção de serviços ecossistêmicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Abreu, Viviane Evangelista dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://repositorio.unb.br/handle/10482/51883
Resumo: Serviço ecossistêmico é um conceito consagrado para determinar relações dos ecossistemas com a sociedade. É por meio dessa abordagem que os principais painéis intergovernamentais para a conservação da natureza Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmico (IPBES) vêm alertando sobre a importância de se inserir informações de comunidades locais e tradicionais em sinergia com dados ecológicos científicos. As abordagens para tomadas de decisão para a gestão de serviços ecossistêmicos se apresentam carentes de informações que validem o viés abrangente para análises de sistemas socioecológicos. Atualmente, há uma considerável proporção de estudos que abordam percepção sobre serviços ecossistêmicos, conhecimento ecológico local, bem como a diversidade de tipos de agricultura familiar. Mas, há lacunas científicas sobre como variáveis socioecológicas podem influenciar saberes locais. Ou ainda, como a diversidade da agricultura familiar reflete em diferentes dados ecológicos e de estimativa para serviços ecossistêmicos. Diante da necessidade de alcance de metas da conservação da biodiversidade e adição de serviços ecossistêmicos no bioma Cerrado, torna-se urgente identificar áreas de sistemas socioecológicos que possibilitem a implementação de ações de gestão de serviços ecossistêmicos. Esse estudo propôs analisar agricultores familiares em territórios da reforma agrária, contíguos à Unidades de Conservação de Proteção Integral como uma oportunidade à observação de sistemas socioecológico para a conservação e gestão de serviços ecossistêmicos. No Capítulo 1 objetivouse identificar a influência de variáveis socioecológicas na constituição de conhecimento ecológico local e na percepção sobre serviços ecossistêmicos de famílias agricultoras com intuito de fornecer apontamentos estratégicos para melhorar a gestão de serviços ecossistêmicos. No Capítulo 2, buscou-se analisar a diversidade de vegetação nativa, além de três serviços ecossistêmicos, armazenamento de carbono em árvores, provisão de frutos nativos e fornecimento de habitats em diferentes usos da terra, em áreas naturais de cerrado típico, manejada por agricultores familiares. As amostragens de campo foram realizadas em 80 propriedades onde realizou-se entrevistas e inspeções técnicas. 15 propriedades foram selecionadas para a realização de inventários florísticos para análise dos serviços ecossistêmicos. Para análise de dados no capítulo 1, utilizou-se modelagem por Randon Forest (RF) que combina árvores de decisão para a compreensão de quais variáveis são mais influentes ao conhecimento ecológico local e a percepção. No capítulo 2 determinou-se abundância, riqueza, índice de diversidade, armazenamento de carbono, provisão de frutos nativos e fornecimento de habitat por meio de pacotes específicos em Programação “R”. Descobriu-se que o engajamento em iniciativas de conservação e restauração da natureza, juntamente com o uso de áreas nativas, influenciam significativamente os níveis de Conhecimento Ecológico Local (LEK- Local Ecological Knowledge) nas comunidades de agricultores. Agricultores com participação completa, desde a concepção até a implementação e avaliação das iniciativas, apresentaram um nível de LEK significativamente mais alto (28,5 ± 13,0) em comparação com agricultores sem participação nessas iniciativas (11,4 ± 5,9). Agricultores que utilizavam o cerrado para lazer e educação (28,2 ± 21,2) tinham níveis de LEK significativamente mais altos em comparação com agricultores que não frequentavam ou usavam as áreas de cerrado (13,5 ± 8,9) e aqueles que usavam áreas de vegetação nativa para a criação de gado (12,8 ± 6,8). Esses resultados destacam que, além da participação dos agricultores em iniciativas de conservação e restauração, o uso sustentável das áreas naturais é fundamental para fortalecer seu conhecimento local sobre o funcionamento dos ecossistemas. Além disso, os resultados relatam que o tipo de agroecossistema presente nas fazendas influencia fortemente as percepções dos agricultores sobre os serviços ecossistêmicos. Os agricultores percebem diferentes serviços ecossistêmicos dependendo do uso do solo, indicando a necessidade de intervenções personalizadas para o planejamento e a gestão de áreas de conservação. Agricultores que praticam monocultura de soja tinham escores de percepção significativamente mais baixos sobre serviços ecossistêmicos (-5,1 ± 3,8) em comparação com os outros quatro grupos avaliados. As maiores estimativas para serviços ecossistêmicos estão em áreas nativas destinadas a propósitos agroextrativos. Foi encontrada uma forte correlação positiva entre o índice de diversidade e o armazenamento de carbono, indicando que áreas mais diversas geralmente são mais eficazes na captura e armazenamento de carbono. Esse estudo destaca o papel crítico de incorporar o conhecimento e as percepções locais para o design de estratégias de gestão eficazes, visando aumentar a provisão de serviços ecossistêmicos e a conservação da biodiversidade em áreas adjacentes a áreas protegidas. Além de, compreender importância dos benefícios ecológicos de diferentes usos da terra para apoiar estratégias de manejo, informar políticas públicas e fornecer incentivos financeiros aos agricultores familiares.