Comportamento alimentar e crescimento populacional de fitossuccívoros em plantas Bt ou submetidas a herbivoria por lagarta

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Laranjeiras, Mauricélia Ferreira Almeida
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://locus.ufv.br//handle/123456789/26944
Resumo: Embora altas infestações por insetos fitossuccívoros em cultivos de plantas Bt ocorram com frequência, estudos sobre as possíveis causas do fenômeno tem recebido relativamente pouca atenção. Aqui foi avaliado o comportamento alimentar e o desempenho demográfico de insetos fitossuccívos em milho e soja Bt, e em plantas de milho submetidas a herbivoria por lagarta. Em milho Bt, foi avaliado o efeito de plantas expressando as toxinas Cry1Ab ou Cry1F em dez gerações do pulgão Rhopalosiphum padi (Hemiptera: Aphidae). Na interação entre herbívoros de guildas diferentes, mediada por uma cultivar de milho, testou-se a hipótese de que a herbivoria por Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae) afeta o pulgão Rhopalosiphum maidis (Hemiptera: Aphidae). Em soja Bt, Bemisia tabaci biótipo B (Hemiptera: Aleyrodidae) foi estudada em plantas expressando a toxina Cry1Ac. Variáveis do desempenho demográfico e comportamento alimentar de R. padi mostraram que o inseto foi negativamente afetado quando exposto ao milho Bt Cry1Ab ao longo do tempo. Por outro lado, em milho Cry1F o pulgão produziu maior número de ninfas ao longo do tempo, mas a taxa intrínseca de crescimento populacional foi inalterada ao longo das gerações e em relação ao milho não-Bt. Isto indica que os milhos Cry1Ab e Cry1F não devem facilitar os pulgões R. padi a tornarem-se pragas mais importantes economicamente por não aumentarem o crescimento populacional do inseto. O estudo da interação entre herbívoros de guildas diferentes em plantas de milho demonstrou que apesar de larvas de S. frugiperda induzirem inibidores de protease, a herbivoria prévia pelas lagartas não afetou negativamente o desempenho e comportamento alimentar de R. maidis. Para a mosca branca, as taxas de crescimento populacional (Ro e r m ) deste inseto na soja Bt foram maiores do que na soja não-Bt, mostrando que a variedade de soja Cry1Ac favorece o crescimento populacional de B. tabaci. Além disso, registros de comportamento alimentar pelo Electrical Penetration Graph mostraram maior tempo de salivação e de ingestão do floema associados à alimentação de B. tabaci na soja Bt, o que indicam maior probabilidade de B. tabaci alimentando-se na soja Bt transmitirem vírus fitopatogênico. Em conclusão, os resultados deste trabalho mostram que os milhos Cry1Ab e Cry1F não favorece o crescimento populacional nem o comportamento alimentar de R. padi, o que implica que não devem facilitar pulgões a tornarem-se pragas mais importantes economicamente em cultivos de milho de uma única toxina Bt. Por outro lado, a soja Cry1Ac testada aumentou as taxas de crescimento populacional de B. tabaci e o inseto apresentou maior tempo de salivação e de ingestão do floema, o que pode levar a altas infestações e aumentar o risco de transmissão de fitoviroses, mas isto deve ser testado em outras variedades de soja. Por fim, não houve interferência entre S. frugiperda e R. maidis quando a lagarta é primeiro fitófago na planta e este estudo é um primeiro passo para um melhor entendimento da interação entre herbívoros de guildas diferentes em milho, sendo que esta linha de pesquisa merece futuros esforços.