O território do Rio Doce: uma análise discursiva de notícias sobre o rompimento da Barragem da Samarco/Vale/BHP Billiton em jornais impressos de Mariana (MG), Governador Valadares (MG) e Linhares (ES)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Bueno, Lúcia Magalhães Torres
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://locus.ufv.br//handle/123456789/27267
Resumo: O presente trabalho tem como tema a representação na mídia dos fatos relacionados ao rompimento da Barragem de Fundão, da empresa Samarco, em Mariana (MG), ocorrido no dia 5 de novembro de 2015. O objetivo geral foi descrever e analisar os imaginários sociodiscursivos sobre o rompimento da Barragem da Samarco em notícias jornalísticas, com base na Teoria Semiolinguística de Charaudeau (2008); apoiando-se em reflexões de Van Dijk (2008) sobre mídia, gênero notícia e poder; e em Joly (2007) para análise das imagens. Para alcançar este objetivo, fez-se: uma contextualização sobre o rompimento da barragem, considerando-se o referencial teórico da Geografia, principalmente, de acordo com o conceito de território, na concepção de Santos (2009); a descrição da situação de comunicação; a descrição dos modos de organização do discurso (Enunciativo, Descritivo, Narrativo e Dissertativo); a descrição das imagens; e o levantamento dos imaginários sociodiscursivos. O corpus se constituiu de notícias publicadas nos jornais impressos O Liberal (Mariana-MG), Diário do Rio Doce (Governador Valadares-MG) e O Pioneiro (Linhares-ES), em novembro de 2015, em novembro de 2016 e em novembro de 2017. A seguir, são destacados alguns resultados da pesquisa. Quanto ao tema, o rompimento da barragem reflete o modelo de desenvolvimento econômico extrativista, predatório, que prestigia os interesses econômicos de grandes corporações nacionais e internacionais em detrimento das necessidades, interesses e qualidade de vida das pessoas das comunidades locais no território do Rio Doce, desde os tempos coloniais. Quanto à representação do fato, as notícias mostram que, após três anos, não houve reparação devida em relação às consequências para os atingidos e ao meio ambiente; e predominaram os recortes temáticos relacionados às consequências: em Mariana/MG (sociais e econômicas); em Governador Valadares/MG e em Linhares/ES (socioambientais). E quanto aos imaginários sociodiscursivos, foram utilizadas estratégias que produzem efeitos possíveis na construção de imagem positiva da Samarco e Renova; e o foco nas consequências destacou pouco as causas e a responsabilização da Samarco/Vale/BHP Billiton, podendo com isso, ter repercutido pouco na sociedade a importância de resolver os problemas que provocaram o rompimento e evitar novos desastres.