Ai, como eu sou bandida A análise discursiva crítica sobre a construção identitária da personagem transexual Valéria Vasques, no programa de televisão Zorra Total, da Rede Globo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Gomes, Renan Araújo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
BR
Estudos Linguisticos e Estudos Literários
Mestrado em Letras
UFV
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://locus.ufv.br/handle/123456789/4866
Resumo: A transexualidade constitui o espaço definido como o inabitável, onde aqueles que vivenciam tal experiência estariam encerrados, materializados como seres abjetos. Eis que se revela uma crise de identidade, nos limites engendrados pela matriz heterossexual, cuja economia opera por meio de tecnologias discursivas, na docilização dos corpos humanos. Isso torna evidente o discurso enquanto prática política e ideologicamente investida, compreendido sob relação dialética com a sociedade, inclusive no concernente à constituição de identidades. A partir disso, o objetivo desta pesquisa foi analisar discursiva-criticamente a construção identitária da personagem Valéria Vasques, no programa de televisão Zorra Total, a fim de problematizarmos a representação midiática da transexualidade, em se tratando de um programa de humor. Para isso, com base nas orientações teórico-metodológicas, propostas pela ADC e pela Semiótica Social, conduzimos um percurso genealógico de crítica e reflexão sobre esses esquetes, a fim de desvelar quais relações discursivas estão articuladas na concepção de Valéria. Com respeito aos diferentes recursos pelos quais as identidades podem ser representadas, e, levando em consideração a possibilidade de mudança ao longo do tempo, reunimos nosso corpus, atentos aos diferentes modos de representação, tele-fílmica, imagética e verbal, com base no ano de 2011, período de surgimento e consolidação da personagem. A análise permitiu compreendermos a representação de performatividades relativas às outridades femininas, em um campo de relações marcado por dada concepção hegemônica de gênero, sexo e desejo. Caracteristicamente bufônicas, Valéria e Janete emergem como a própria expressão da subversão, constituindo-se mulheres no seio de uma cultura heterossexista e classicista. Valéria, em sua natureza transexual, identifica-se como mulher na transgressão de práticas hétero compulsórias, condição esta reforçada pelo atributo bandida, na busca por visibilidade política a partir das idiossincrasias que lhe conferem o status humano, e de sua própria expressão de beleza.