A família e o provimento de cuidado à pessoa em sofrimento psíquico no contexto da pandemias de Covid-19
Ano de defesa: | 2024 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Viçosa
Economia Doméstica |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://locus.ufv.br/handle/123456789/33238 https://doi.org/10.47328/ufvbbt.2024.734 |
Resumo: | Este estudo objetiva analisar o cuidado exercido por familiares às pessoas em sofrimento mental assistidas pelo CAPS de Viçosa, MG, em contexto de intensificação do projeto ultraneoliberal e de eclosão da pandemia de Covid-19. Os objetivos específicos são: Identificar aspectos socioeconômicos dos familiares dos usuários do CAPS, buscando compreender suas implicações no cuidado; Compreender as dificuldades encontradas pelos familiares para garantir o cuidado no contexto de pandemia, identificando as estratégias utilizadas pelos familiares neste período; Identificar os dispositivos assistenciais acionados pelos familiares, para além do CAPS, para responder as demandas dos usuários no período da pandemia; Problematizar o impacto do projeto ultraneoliberal na possibilidade de garantir os serviços de saúde mental e como repercute nas respostas dos familiares no provimento do cuidado. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e exploratória, do tipo estudo de caso, realizada na perspectiva do materialismo histórico-dialético. Utilizou-se como metodologia de coleta de dados entrevista semiestruturada, com 10 cuidadores. Os dados foram analisados utilizando a técnica de análise de conteúdo temática conforme Bardin (1977). Os resultados revelam que a maioria dos cuidadores é do sexo feminino (80%), e a minoria (20%) são homens. Dentre essas mulheres, 70% se identificam como pertencentes à raça negra, evidenciando a importância de considerar as singularidades da interseccionalidade, que reflete as complexas e desiguais relações sociais de gênero, classe e raça na sociedade brasileira. Conclui-se que, apesar dos avanços trazidos pela Reforma Psiquiátrica e pelos novos modelos de atenção, o aprofundamento da contrarreforma do Estado, em um cenário de restrição das políticas sociais universais e de destinação do fundo público para serviços manicomiais, com o consequente sucateamento dos serviços substitutivos, trouxe impactos significativos para o cuidado em saúde mental durante a pandemia. Esses impactos incluem a precarização do SUS, a desarticulação da RAPS, a fragmentação do trabalho, a cronificação de práticas manicomiais e a sobrecarga da família (familismo), que assumiu grande parte das funções que deveriam ser responsabilidade do Estado. Palavras-chave: cuidado. ; saúde mental. ; familismo. ; covid-19.; centro de atenção psicossocial. |