“Eu sou gente!”: Representação d@s (tr@ns)gêneros em veículos midiáticos: caso Laerte Coutinho

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Pessoa, Debora Soares
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Viçosa
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.locus.ufv.br/handle/123456789/6257
Resumo: A compreensão de gênero social em sociedades contemporâneas ainda passa pela coerência socialmente imposta entre sexo - gênero - desejo - práticas, e, por isso, os gêneros inteligíveis são regulados por uma coerência na qual um ser que nasce com uma anatomia masculina deveria ser masculino, desejar mulheres e manter relações sexuais ativas com elas. Discussões e debates acerca do gênero e da sexualidade se fazem cada vez mais presentes e constantes nos mais diferentes âmbitos. Acreditamos que a mídia exerce grande influência no repensar das construções identitárias e das representações. Infelizmente, muitas vezes percebemos que questões complexas em relação ao gênero ainda não recebem um tratamento mais justo, ou seja, uma veiculação mais imparcial, ampla, mais informativa e menos avaliativa, sem reducionismos e ironias, nos grandes meios midiáticos, sejam eles impressos ou digitais. Neste estudo, propomo-nos analisar os discursos midiáticos em que circulam construções identitárias e representações sócio- discursivas da cartunista Laerte Coutinho, assim como das trans (pessoas que não se enquadram no padrão binário macho x fêmea/feminino x masculino), de forma a apontar o papel desses discursos na atualidade/modernidade. Foram selecionados 8 textos provenientes de diversos veículos midiáticos online e publicados entre 2010 e 2013. O material coletado foi analisado sob o viés teórico-metodológico da Análise de Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 1989, 1992, 1995, 2001, 2003; CHOULIARAKI & FAIRCLOUGH, 1999), da Teoria da Representação dos Atores Sociais (VAN LEEUWEN, 1996, 2005), da Teoria Queer (BUTLER, 2008), com suporte da Teoria da Avaliatividade (WHITE, 2004; VIAN JR., 2009) e da ferramenta computacional Wordsmith Tools (SCOTT, 2004). Percebeu-se uma clara distinção entre a representação sócio-discursiva da Laerte (diferença = diversidade) perante as trans (diferença = exclusão), por meio, principalmente, da inclusão, exclusão, nomeação, funcionalização, avaliações negativas e positivas, sobreposição e subjulgamento da agência. Constatou- se o valor potencial da linguagem na manutenção, produção e transformação das representações, através das escolhas linguístico-discursivas e dos investimentos nas construções de significações e nas nomeações utilizadas para se referir às pessoas, ao processo de travestilidade e à identidade de gênero. Ademais, contemplamos a ixreflexividade no desvelar das contradições, dos dilemas e dos antagonismos, materializados em discursos com os mais diversos propósitos, na capacidade dos indivíduos construírem ativamente suas identidades, em construções reflexivas de sua atividade na vida social, bem como no processo de construção e desconstrução/ contestação das identidades sociais fragmentadas no/pelo discurso.