Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2004 |
Autor(a) principal: |
Almassy Júnior, Alexandre Américo |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Viçosa
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
http://www.locus.ufv.br/handle/123456789/10464
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Resumo: |
As pesquisas etnobotânicas e etnofarmacológicas são hoje importantes ferramentas de registro e documentação dos usos empíricos de plantas medicinais em comunidades tradicionais, gerando conhecimento útil ao desenvolvimento de novos medicamentos, à conservação da biodiversidade e a valorização do saber e da cultura local. Entretanto, em trabalhos recentes, pesquisadores tem concluído que fatores de transformações sociais e econômicas podem influenciar as características do conhecimento tradicional e sua forma de transmissão dentro da comunidade, influenciando nos resultados obtidos por levantamentos etnocientíficos. O objetivo deste trabalho foi analisar as características etnobotânicas e etnofarmacológicas da comunidade de Lavras Novas (Ouro Preto MG), que tem sido submetida a intensas transformações econômico-sociais durante a última década em decorrência da crescente atividade turística. As metodologias empregadas foram observação participante e entrevistas semi-estruturadas realizadas com 22 informantes- chave. Foi verificado que para os nativos da comunidade existe associação entre o sagrado e uso de plantas medicinais, sendo que é comum a interpretação de que a ação terapêutica destas é potencializada pela prática das orações. Em 10 anos, houve queda no uso de plantas medicinais cultivadas e aumento no uso de espécies espontâneas coletadas. Cerca de 73% dos informantes afirmaram encontrar dificuldades de repassar o conhecimento tradicional sobre as plantas medicinais aos membros mais jovens da comunidade, o que tem levado a perda do hábito de cultivo dessas espécies e conseqüente desaparecimento de algumas delas na localidade. Conclui-se que o turismo exerce, nessa comunidade, impactos sociais, econômicos e culturais, porém não é possível valorar que esta influência seja completamente negativa, em relação ao tradicional uso de plantas medicinais, já que é comum o fato de turistas adotarem o recurso terapêutico dos remédios tradicionais, elaborados pelos moradores, em caso de necessidade. O impacto negativo do turismo em relação à utilização das plantas diz respeito à dificuldade de transmissão do conhecimento tradicional entre as gerações, já que os jovens do local, estão valorizando menos os elementos tradicionais da cultura lavranovense e mais os exemplos dos turistas. Além disso ocorre a perda do tradicional hábito do cultivo de plantas medicinais inclusive pela redução de área disponível nos quintais dos moradores, transformados em quartos ou casas de aluguel. Conclui-se também que as informações etnobotânicas e etnofarmacológicas, quando obtidas em determinados intervalos de tempo, podem ser indicadoras do grau de manutenção ou degradação do conhecimento tradicional de comunidades rurais. |