O “instinto materno” como uma construção de gênero: discussões sobre o desejo de amamentar

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Calafate, Jaqueline Medeiros Silva
Orientador(a): Parente, Temis Gomes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Tocantins
Palmas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional - PPGDR
Departamento: Não Informado pela instituição
País: BR
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/11612/167
Resumo: Considera-se que a gravidez e o parto são processos sociais por envolverem família e comunidade, mas especialmente singulares por ser a experiência mais individual que uma mulher pode ter. No entanto, tem sido enfatizada como um processo predominantemente biológico onde é valorizada unicamente sua condição patológica apesar dos esforços e investimentos em humanização do SUS nos últimos anos. Nessa perspectiva pode-se pensar em como as questões de gênero perpassam a construção de políticas públicas maternoinfantis, ficando evidente a dificuldade de desvincularem o estereótipo da mulher instintivamente mãe e, portanto, capacitada a dar conta de tudo que advém de uma gestação. Não se pode deixar de observar que as mudanças ocorridas no Sistema Único de Saúde - SUS referentes ao parto e puerpério foram marcadas pela aniquilação do direito da mulher sobre o corpo, institucionalizando a relação mãe/bebe. Tal interferência constante tem contribuindo para a exclusão da participação de mulheres na elaboração das mesmas resultando em práticas e políticas patriarcais. Como é o caso da política de aleitamento materno que, apesar de ter sido responsável por colaborar com a diminuição do desmame precoce, tem, se apropriado do corpo da mulher através da obrigatoriedade com que é manejada nos Hospitais Amigos da Criança tirando o direito de escolha da puérpera. Dessa maneira, este trabalho buscou discutir a prática do aleitamento materno como um constructo social e de gênero constratando ao que se entende comumente por comportamento natural e/ou instintivo. Acredita-se que falar em humanização no aleitamento requer antes de qualquer coisa o reconhecimento da individualidade do atendimento a gestante permitindo o estabelecimento de um vínculo único, possibilitando uma relação menos desigual e autoritária, devolvendo a mulher à autonomia sobre o seu corpo e sobre o processo que se sente mais apta a viver.