Estratégias de investigação in vitro e ex vivo dos efeitos do canabidiol sobre aspectos morfológicos e funcionais de células neurais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Quintella, Miguel Lins [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/65972
Resumo: Introdução: Evidências recentes indicam que o canabidiol (CBD) possui ação neuroprotetora e anti-inflamatória, podendo atuar também como anticonvulsivante, antioxidante e ansiolítico. No entanto, alguns estudos têm demonstrado efeitos tóxicos e pró-apoptóticos do CBD, e o modo pelo qual o CBD atua sobre o sistema nervoso central ainda é desconhecido. Portanto, para compreender esses efeitos contraditórios uma possível estratégia é investigar a ação do CBD in vitro. Objetivo: Assim, o presente estudo teve como proposta analisar in vitro, em células neurais e em fatias (slices) de cérebro, os efeitos do CBD em aspectos morfológicos da doença de Alzheimer (AD), e funcionais da dependência química. Métodos: A tese foi organizada em dois capítulos. No capítulo 1 investigamos as alterações evidenciadas na formação das esferas, migração, crescimento de neuritos e morte neuronal de células neuroprogenitoras (NPC) e de células de neuroblastoma (N2a), na presença do CBD. O peptídeo β-amiloide (Aβ) foi adicionado à cultura como modelo de uma situação patológica simulando aspectos do processo inflamatório da AD e da toxicidade de Aβ. No capítulo 2, investigamos a influência do CBD na liberação de dopamina em fatias do estriado de camundongos tratados com CBD, avaliada por voltametria cíclica, mimetizando um aspecto da dependência química. Assim, foram utilizadas técnicas in vitro de culturas de neuroesferas e de células N2a, e ferramenta eletroquímica de voltametria cíclica de registro em slice, para avaliar aspectos morfológicos e funcionais das possíveis alterações causadas pelo tratamento com CBD. Resultados: Verificamos que o CBD exerce efeito no crescimento e formação de esferas, além de promover morte celular e reduzir a migração e o brotamento de neuritos. Além disso, células tratadas com Aβ também apresentaram redução da viabilidade celular, do crescimento da neuroesfera e de neuritos. As análises por voltametria mostraram não haver diferenças nos níveis de dopamina liberada no estriado de animais tratados com CBD. Em culturas de NPC e N2a foi possível identificar alterações morfológicas promovidas pelo tratamento com CBD. Porém, as análises por voltametria cíclica indicaram que o tratamento prévio com CBD não alterou a liberação de dopamina no estriado. Conclusão: CBD modificou o padrão de viabilidade, proliferação, migração e projeções de neuritos, que poderiam potencializar as alterações presentes na AD. Este estudo oferece insights in vitro sobre os efeitos do CBD.