Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
Marques, Mariana de Oliveira [UNIFESP] |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de São Paulo
|
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: |
|
Link de acesso: |
https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/67346
|
Resumo: |
Objetivo: Avaliar o perfil de citocinas em diferentes momentos de evolução clínica no COVID-19 grave em pacientes em unidade de terapia intensiva e correlacionar com desfechos clínicos. Métodos: Foram selecionados 62 adultos com COVID-19 grave durante as primeiras duas ondas de COVID-19 no Brasil (maio a julho de 2020 e dezembro 2020 a maio de 2021) com o recrutamento aleatório, realizando coletas laboratoriais nas primeiras 24 horas de admissão na UTI e após, a cada 4 dias, até 20 dias em um hospital privado terciário de São Paulo. Utilizamos para a validação dos resultados, doadores de sangue voluntários. Através da coleta de sangue total, avaliamos 17 citocinas, receptores de citocinas e fatores de crescimento (sCD137, sFas, sFasL, GM-CSF, Granzima-A, Granzima-B, Perforina, IFN-γ, IL-2, IL-4, IL-5, IL-6, IL-10, IL-13, CCL3, CCL4, TNF-α. Devido à baixa taxa de mortalidade na população estudada (Mortalidade na UTI de 8%), utilizamos como desfecho primário a necessidade de ventilação mecânica (55%). Resultados: Na amostra avaliada foi frequente a presença de comorbidades, sendo obesidade 50%, hipertensão arterial (48.4%), diabete (19.3%), doenças pulmonares crônicas (16.1%), doença cardiovascular (9.7%) e neoplasias (4.8%). Nos exames laboratoriais na admissão houve um destaque no aumento da mediana dos valores de D-Dímero (1057ng/mL), DHL (571U/L), Fibrinogênio (692mg/dL) e Proteína C Reativa (18.1mg/dL), além disso a linfopenia, linfócitos (720/mm³). Encontramos uma diferença estatisticamente significativa entre os casos de COVID-19 grave e os saudáveis quanto ao nível sérico de citocinas pró-inflamatórias IL-6 (8.06 x 0.39; p<0.001), CCL4 (14.8 x 9.63; p =0.002), TNF-alfa (1.64 x 0.37; p<0.001), granzima-B (3.72 x 0.98; p=0.002) e Perforina(553 x 371; p=0.021); anti-inflamatórias IL-10 (7.40 x 0.11; p<0.001) e receptores solúveis relacionados a resposta linfocitária T sFas (1648 x 445; p<0.001) e sCD137( 2.22 x 1.06; p=0.035). Desta forma, podemos identificar um desequilíbrio imune ao evidenciarmos o aumento dos níveis de citocinas pró e anti-inflamatórias provavelmente relacionadas com a resposta imune descontrolada que é observada nos pacientes com COVID-19 grave. Conclusões: O aumento dos níveis na admissão na UTI de IL-6, granzima-B, Perforina, TNF-alfa, sFas e sCD137 se demonstrou elevado quando comparadas na amostra aqueles com e sem o desfecho ventilação mecânica. Este achado ressalta que o aumento nos níveis destes marcadores de forma precoce nos pacientes graves, representam potenciais preditores de pior prognóstico. Ademais, três citocinas, sCD137, sFas e IL-6 demonstraram relação direta entre a elevação de seus níveis e a necessidade de ventilação mecânica em diferentes análises ao longo do tempo, consequentemente pior desfecho. Além disto, o sCD137 e sFas, também apresentaram relação direta dos seus níveis conforme o desfecho insuficiência renal. Desta forma, este estudo traz a caracterização da hiperativação do sistema imune no COVID-19 grave e descreve novos potenciais marcadores prognósticos. Em especial destaque o sCD137, sFas e IL-6. |