Caracterização experimental da sensibilização comportamental "imediata" ao modafinil em camundongos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Wuo-Silva, Raphael [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=3416512
http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/48720
Resumo: Há grande controvérsia sobre o potencial de abuso do modafinil, uma droga aprovada para o tratamento da narcolepsia, estudada como possível agente terapêutico para o tratamento da dependência por cocaína, e utilizada de modo indiscriminado por indivíduos saudáveis devido aos seus efeitos benéficos sobre o alerta e a cognição. Uma forma de se estudar as alterações neuroplásticas que ocorrem rapidamente após a administração de drogas e que levam, consequentemente ao abuso destas, é por meio do modelo animal de sensibilização comportamental imediata, previamente caracterizado para a anfetamina em roedores. Nesse modelo, uma injeção de anfetamina em uma dose baixa foi capaz de eliciar comportamentos estereotipados e hiperlocomoção vigorosos quando administrada a roedores que haviam recebido uma única injeção de anfetamina apenas algumas horas antes. Sendo assim, essa Tese teve como objetivos: 1) validar e caracterizar comportamentalmente o fenômeno de sensibilização imediata ao modafinil em camundongos, 2) verificar a participação de receptores dopaminérgicos D1 e D2 no desenvolvimento da sensibilização imediata ao modafinil, 3) verificar o possível desenvolvimento de sensibilização comportamental imediata cruzada entre modafinil e cocaína e 4) verificar possíveis alterações na neurogênese hipocampal após a sensibilização imediata ao modafinil e a sensibilização imediata cruzada entre o modafinil e a cocaína. Como resultados, verificamos que o efeito estimulante locomotor da injeção indutora de modafinil cessou 150 minutos após a sua administração e que uma injeção indutora de modafinil na dose de 64 mg/kg induziu sensibilização comportamental imediata a injeções desafio de modafinil nas doses de 16 mg/kg, 32 mg/kg e 64 mg/kg, administradas 4 horas após a injeção indutora. Verificamos ainda que o antagonista D1 SCH 23390, mas não o antagonista D2 sulpiride, atenuou o efeito estimulante locomotor induzido pelo modafinil. No entanto, ambos os antagonistas dopaminérgicos inibiram a sensibilização comportamental imediata ao modafinil. Ainda, a sensibilização imediata também ocorreu de maneira cruzada e bidirecional entre o modafinil e a cocaína Por fim, a sensibilização imediata ao modafinil e a sensibilização imediata cruzada entre modafinil e cocaína não alteraram a neurogênese, avaliada pela quantificação de neurônios DCX+ no hipocampo. Tomados em conjunto, os presentes achados fornecem evidências pré-clínicas do potencial de abuso do modafinil, mostrando que essa droga é capaz de promover neuroadaptações praticamente imediatas, que envolvem a participação dos receptores dopaminérgicos D1 e D2, e que estão intimamente relacionadas aos mecanismos subjacentes à dependência de cocaína.