Relevância clínica da presença de anticorpos anti-HLA específicos contra o doador nos desfechos de receptores de transplante renal em um programa de mismatches inaceitáveis para os loci ABDR

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Dreige, Yasmim Cardoso [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/69484
Resumo: Introdução: Evidências apontam para piores desfechos clínicos quando há anticorpos anti-HLA específico contra o doador (DSA) pré-formado A,B,DR > 1500 MFI, mas evidências são escassas quando o MFI < 1500 e para outros loci. Objetivo: Avaliar o impacto DSA pré-formado nos resultados clínicos dos receptores de transplante renal em um programa baseado em mismatches inaceitáveis (MM) para os loci ABDR com uma alta frequência de MM zero no locus DR. Metodologia: Estudo de coorte de centro único que incluiu 648 receptores de transplante renal sensibilizados (cPRA≠0) transplantados entre 2015-19. A presença de DSA contra ABDR >1.500 MFI determinou antígenos para o programa de MM inaceitáveis, enquanto os antígenos - C, -DQ e -DP não foram considerados. Todos os transplantes foram realizados com um CDC-CM negativo. A população foi analisada considerando o grupo DSA+ (antiHLA ABDR entre 300 e 1.500 MFI e qualquer nível para CDQDP) e o grupo DSA-. Resultados: Na coorte estudada, 162 (25%) pacientes apresentaram DSA+ prétransplante: 81 anti-A, -B ou -DR (50%), 62 anti-C, -DQ ou -DP (42%) e 8 anti-A,-B,- DR e -C, -DQ ou -DP (13%). Em comparação com aqueles DSA-, eles tinham maior tempo em diálise (46 vs. 37 meses, p=0,038), um cPRA classe II mais alto (30 vs. 0%; p=0,037) e maior frequência de candidatos a retransplante (34 vs. 15,8%, p<0,001). Os doadores falecidos foram predominantes em ambos os grupos, e 78,5% de todos os receptores foram transplantados com zero MM no locus DR. A TFG de 1 ano não foi diferente nos dois grupos: DSA+ 44,3 vs. DSA- 46,4 mL/min/1,73m2 , p=0,54. Na análise multivariada, as variáveis associadas à pior função renal ao final de um ano a idade do doador (HR para cada ano = 1,03, p<0,001) e o tipo de doador (HR falecido vs. vivo = 5,15, p = 0,001). Não houve diferença na frequência de DGF entre os grupos: DSA+: 52,8 vs. 49,8%, p=0,511. Por fim, a incidência de BPAR em um ano também foi semelhante nos dois grupos: 12,3 vs. 11,5%, p=0,78. A única variável associada à BPAR foi cPRA classe I (HR=1,093; p=0,006). Conclusão: Em um programa baseado em incompatibilidades inaceitáveis de ABDR (> 1.500 MFI) e alta frequência de MM zero no locus DR, a presença de DSA pré-formado específicos contra o doador, em baixa intensidade para os antígenos HLA -A, -B, -DR ou em quaisquer níveis para -C, -DQ e -DP não está associada a pior função renal, função tardia do enxerto, rejeição aguda, perda do enxerto e óbito ao final de 1 ano na população de receptores de transplante renal sensibilizados.