Teoria da mente e reconhecimento de emoções de crianças e adolescentes com surdez bilateral

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Gimenes, Nathalia Rodrigues [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/69221
Resumo: A habilidade da cognição social se estabelece na interface do desenvolvimento sociocognitivo e comunicativo, consolidando-se aos 5 ou 6 anos de idade, sendo ainda desconhecido o desenvolvimento da mesma em crianças surdas brasileiras. Modelos teóricos identificam importantes domínios na cognição social, como a teoria da mente, e o reconhecimento de emoções. Estudos com ouvintes indicam intrínsecas relações entre a cognição social e a linguagem, relação também ainda desconhecida em crianças surdas brasileiras. O presente estudo prenunciador, transversal e exploratório, teve por objetivo investigar em crianças e adolescentes surdos os aspectos do desenvolvimento da cognição social, com foco em teoria da mente e reconhecimento de emoções, assim como investigar associações com linguagem através do vocabulário. Participaram do estudo 15 crianças e adolescentes, surdos bilaterais, de 7 a 14 anos de idade, de diferentes padrões comunicativos, filhos de pais ouvintes. Participaram também, 20 crianças e adolescentes ouvintes, na mesma faixa etária, também filhos de pais ouvintes. Todos os participantes foram submetidos a um teste de reconhecimento de emoções, uma tarefa de teoria da mente, abrangendo seus subdomínios, e testes de vocabulário expressivo e receptivo, adaptáveis ou validados para surdos. As aplicações foram realizadas por videochamada, em função da pandemia, pela pesquisadora principal, psicóloga clínica apta em Libras. Nas análises de dados foram utilizados modelos lineares generalizados para variáveis quantitativas e testes qui-quadrado para variáveis categóricas. Conforme esperado, os resultados revelaram que os participantes surdos apresentaram desempenho inferior em teoria da mente em comparação aos ouvintes. O baixo desempenho predominou nos subdomínios de desejos diversos, acesso ao conhecimento e falsa crença na amostra brasileira. Os participantes surdos a partir de 10 anos de idade apresentaram melhor desempenho do que os mais jovens, denotando importante efeito da idade. Em reconhecimento de emoções, também observou-se, em geral, inferior desempenho, com exceção para o reconhecimento das emoções de medo e nojo. Não foram observadas associações entre as habilidades em cognição social e linguagem, através dos vocabulários receptivo e expressivo, nem mesmo associações entre as habilidades de cognição social e o padrão comunicativo dos participantes, como uso de implante coclear ou padrão comunicativo, Libras ou Português. Os resultados sugeriram possível influência da consolidação de padrão comunicativo tardio na amostra de crianças surdas brasileiras filhas de pais ouvintes, no desempenho inferior. Sugere-se estudos posteriores com comparações apenas entre surdos e seus padrões comunicativos. O pioneirismo da aplicação online sugere a necessidade do desenvolvimento e adaptação de testes neuropsicológicos para aplicação em crianças surdas.