Adolescentes jogadoras de handebol apresentam conteúdo mineral ósseo superior ao de adolescentes jogadoras de futebol: um estudo transversal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Fagundes, Ulysses [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/70178
Resumo: Introdução: A adolescência é o período de vida em que se obtém entre 40 e 60% da massa óssea, algo extremamente importante para prevenção de osteoporose na fase adulta. Entre os vários fatores que podem estimular esse ganho de massa óssea está a prática de atividade física. Entretanto, não está claro na literatura que tipo de atividade física é capaz de gerar maiores ganhos. Objetivo: Comparar o conteúdo mineral ósseo (CMO), a densidade mineral óssea (DMO) e a massa magra de adolescentes atletas (jogadoras de futebol e jogadoras de handebol) e um padrão de referência norte-americano com o intuito de verificar o efeito da modalidade esportiva praticada sobre a massa óssea e massa magra. Métodos: Este estudo transversal mediu o CMO, a DMO, a DMO total do corpo menos cabeça (TBLH) e a massa magra usando absorciometria de raios-X de dupla energia (DXA) em 115 jogadoras de handebol (15,5 ± 1,3 anos, 165,2 ± 5,6 cm e 61,9 ± 9,3 kg) e em 142 jogadoras de futebol (15,5 ± 1,5 anos, 163,7 ± 6,6 cm e 56,5 ± 7,7 kg). Além disso, 136 adolescentes mulheres formaram o grupo de valores padrão de referência norte-americano (15,1 ± 1,3 anos, 163,5 ± 5,8 cm e 67,2 ± 19,4 kg), cujos dados referentes à massa óssea foram extraídos do estudo “National Health and Nutrition Survey” (NHANES). Resultados: Observou-se que jogadoras de handebol, quando comparadas às futebolistas, apresentaram valores maiores de CMO em membros superiores (294,8±40,2 g e 270,7±45,7 g, p < 0,001), membros inferiores (1011,6±145,5 g e 967,7±144,3 g, p = 0,035), tronco (911,1±182,5 g e 841,6±163,7 g, p = 0,001), costelas (312,4±69,9 g e 272,9±58,0 g, p < 0,001), vértebras (245,1±46,8 g e 222,0±45,1 g, p < 0,001) e massa óssea total (2708,7±384,1 g e 2534,8±386,0 g, p < 0,001), respectivamente. Os valores do padrão de referência norte-americano para o CMO em membros inferiores (740,6±132,3 g, p < 0,001), tronco (539,7±98,6 g, p < 0,001), costelas (138,2±29,9 g, p < 0,001), pelve (238,9±54,6 g, p < 0,001), vértebras (152,8±26.4 g, p < 0,001) e massa óssea total (1987,5±311.3 g, p < 0,001) foram inferiores quando comparadas às adolescentes das duas modalidades esportivas. As jogadoras de handebol, quando comparadas às futebolistas, também apresentaram valores maiores de DMO em tronco (1,02±0,87 g/cm2 e 0,99±0,83 g/cm2 , p=0,017), costelas (0,77±0,06 g/cm2 e 0,74±0,05 g/cm2 , p<0,001) e vértebras (1,15±0,11 g/cm2 e 1,09±0,12 g/cm2 , p<0,001). As adolescentes atletas apresentaram DMO superior a apresentada pelo padrão de referência norte-americano para todas as medidas realizadas (membros superiores, inferiores, tronco, costelas, pelve, coluna e total) (p<0,005). Com relação à massa magra, não houve diferença entre os 3 grupos com relação à massa magra de membros superiores (p=0,112) e massa magra total (p=0,524). Porém, a massa magra de membros inferiores foi menor no grupo do ix padrão de referência norte-americano do que nos grupos de jogadoras de futebol e handebol (p=0,001). Conclusões: Meninas adolescentes que praticam handebol por pelo menos um ano apresentam CMO superior ao encontrado em adolescente praticantes de futebol. Além disso, as adolescentes atletas das duas modalidades apresentam CMO e DMO superiores ao padrão de referência norte-americano. Esses resultados podem ser usados por médicos, profissionais de saúde e educação física para justificar a escolha de uma modalidade esportiva específica para aumento de CMO e DMO em meninas adolescentes.