Investigação do perfil molecular do osteossarcoma em crianças e adolescentes de diferentes grupos etários utilizando painel de sequenciamento de nova geração

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Guimarães, Giovanna Manga [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/61374
Resumo: Introdução: O osteossarcoma (OS) é a mais comum neoplasia primária dos ossos entre crianças e adolescentes, apresentando alto potencial metastático, resistência ao tratamento e, em certos casos, seu desenvolvimento pode relacionar-se à presença de mutações em linhagem germinativa. Apesar do OS ocorrer principalmente durante a fase de estirão de crescimento, na segunda década de vida, médicos têm apontado para um segundo grupo, mais raro, de crianças que desenvolvem OS antes dos 10 anos de idade. Assim, a identificação de diferentes grupos de risco e suas particularidades clínicas e biológicas faz-se necessária para uma melhor abordagem terapêutica. Objetivo: identificar e comparar, por meio de sequenciamento de nova geração (NGS), as alterações genéticas presentes em amostras de OS e sangue de pacientes diagnosticados antes e durante a segunda década de vida. Metodologia: Foram selecionadas 84 amostras tumorais de 84 pacientes, diagnosticados e tratados no Instituto de Oncologia Pediátrica (IOP/GRAACC – UNIFESP), 33 deles pertencentes à primeira década e 51, à segunda década de vida. As amostras foram submetidas a um painel de NGS desenhado especificamente para as principais alterações dos tumores da infância e adolescência, chamado Oncomine Childhood Cancer Research Assay (OCCRA®). Onze pacientes tiveram suas amostras de sangue também sequenciadas para confirmação da presença da mutação nas células de linhagem germinativa. As variáveis clínicas e as características histopatológicas dos tumores foram coletadas e associadas aos achados moleculares. Resultados: Quarenta e duas (50%) amostras de OS apresentaram alguma variante somática, sendo as CNVs o principal evento genético encontrado. De todas as variantes detectadas, 89,3% foram classificadas como patogênicas. As variantes nos genes TP53, MYC, CDK4, RB1 e PDGFRA foram as mais observadas. CNVs no gene MYC foram mais frequentes em tumores de pacientes diagnosticados antes dos 10 anos (X21= 5.18, p = 0.023). Adicionalmente, aqueles diagnosticados durante a segunda década apresentaram maior porcentagem de variantes somáticas e germinativas. Variantes germinativas foram encontradas em 5 dos 11 (45,5%) pacientes analisados. Conclusão: nossos resultados sugerem que pacientes diagnosticados com OS na primeira e segunda década de vida podem apresentar padrões de alterações moleculares distintos, sendo as CNVs do gene MYC mais frequentes naqueles diagnosticados antes dos 10 anos; ainda, variantes somáticas nos genes TP53, MYC, CDK4, RB1 e PDGFRA foram identificadas em ambos os grupos. As investigações germinativas apontam que o acompanhamento genético clínico de pacientes diagnosticados com OS deve ser uma abordagem a ser considerada.