Do fim do ser humano ao humanismo yanomami

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Cunha, Carlos Fernando Carrer da [UNIFESP]
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/67427
Resumo: Nossa investigação trata das relações entre o pensamento francês da segunda metade do século XX e o pensamento yanomami. A partir de uma análise comparativa entre três planos de pensamento, cada qual correspondendo a um ou a uma dupla de autores – 1) Lévi-Strauss; 2) Deleuze e Guattari; 3) Kopenawa e Albert –, busca-se compreender, de modo mais aprofundado, quais são os possíveis pontos de aproximação e de afastamento entre eles. A pesquisa será conduzida por um tema comum e de vital importância para cada um desses planos, qual seja, as relações entre humanidade e animalidade. Sustentamos que, para os três casos, trata-se de pensar contra as teses da excepcionalidade humana, isto é, contra a ideia de que o ser humano se constitui como um ser privilegiado em relação aos demais. Mais precisamente, veremos que as críticas ao humanismo nascido na Europa, cada qual ao seu modo, não são separáveis de uma nova concepção de humanidade, pensada a partir de uma relação fundamental com aquilo que, do ponto de vista da própria tradição humanista, constitui seu oposto mais radical: o animal, a animalidade. Privilegiamos este tema tal como aparece na primeira metade da obra de Lévi-Strauss, no período compreendido entre a publicação de As estruturas elementares do parentesco (1949) e a conclusão das Mitológicas (1971); na recepção crítica desta parte da obra pelo trabalho conjunto de Deleuze e Guattari, sobretudo em O anti-Édipo (1972) e Mil platôs (1980); no xamanismo yanomami de Kopenawa e Albert em A queda do céu (2015). A pesquisa visa explorar tanto um movimento interno do pensamento francês, aproximando os trabalhos de Lévi-Strauss, Deleuze e Guattari, quanto a possibilidade de fazê-los funcionar ao lado do pensamento yanomami, em um movimento que o compreende como expressão de um saber cada vez mais incontornável de nosso tempo.