Resumo: |
Uma vez que a defesa imunológica contra patógenos é dispendiosa e meramente reativa, a defesa antipatógena humana também é caracterizada por mecanismos comportamentais pró-ativos que inibem o contato com patógenos. Esse sistema imunológico comportamental (SIC) compreende processos psicológicos que reduzem o risco de contágio a partir da resposta a pistas ambientais por meio da ativação de comportamentos aversivos. Esses processos têm efeitos importantes para a cognição social humana e o comportamento social, incluindo implicações no comportamento sexual, sobretudo na sociossexualidade. Isto é particularmente importante quando novas doenças infecciosas (por exemplo, a COVID-19) se espalham pela população. Em nosso trabalho, apresentamos os conceitos teóricos sobre SIC, sociossexualidade e diferenças individuais. Empiricamente, buscamos compreender, a partir de uma perspectiva evolucionista, se o SIC tem relação com a resposta sociossexual e a ansiedade e se essas variáveis se manifestam de formas diferentes, de acordo com o sexo e a orientação sexual dos indivíduos. A pesquisa utilizou um conjunto de questionários online: questionário sociodemográfico, Escala de Transtorno de Ansiedade Generalizada, Questionário de Vulnerabilidade Percebida à Doença, Subescala de repulsa de patógenos, e Versão reduzida do inventário de sociossexualidade. Participaram 274 voluntários, de todas as regiões do país, com idade entre 18 e 64 anos, heterossexuais e não heterossexuais. No estudo 1, os homens tiveram níveis mais altos de sociossexualidade, sobretudo nos domínios de comportamento e desejo, mas não em atitude; já as mulheres apresentaram níveis mais significativos de aversão a patógenos e em ansiedade. Encontramos correlações negativas entre SIC e sociossexualidade e correlação positiva entre SIC e ansiedade. Somente o domínio comportamento da sociossexualidade se correlacionou com ansiedade. No estudo 2, paricipantes não-heterossexuais pontuaram mais no questionário de sociossexualidade, sendo caracterizados como mais irretristos sexualmente, enquanto o público heterossexual pontuou mais nas escalas de aversão moral e aversão germinativa, embora não tenham sido encontradas diferenças gerais na escala total do SIC. Nossos dados revelam que há uma tensão entre o comportamento sexual e a tendência em evitar pistas consideradas potencialmente patogênicas, indicando que esses dois aspectos estão em constante interação ou conflito. |
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