Análise arquegenealógica da Casa de Saúde Santa Teresa: abertura, manutenção e fechamento de um hospital psiquiátrico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Gimbo, Lêda Mendes Pinheiro
Orientador(a): Leite, Jader Ferreira
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOLOGIA
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/25274
Resumo: A história da loucura no Brasil é indissociável da história dos hospitais psiquiátricos, uma vez que a organização das cidades e sua higiene, pautadas nos moldes franceses do século XIX dependiam dessas instituições para a manutenção da ordem social. As casas de internamento tinham o princípio de instituir organização à sociedade capitalista e burguesa nascente, dando abrigo a loucos, mendigos, prostitutas e todos aqueles que pusessem em risco o projeto de desenvolvimento em curso, atendendo também ao ideal caritativo, um dos pilares da sociedade da época. A região do Cariri cearense contou com a existência de um hospital psiquiátrico, a Casa de Saúde Santa Teresa, que funcionou desde a década de 1970 até o ano de 2016. Sua inauguração não foi uma aleatoriedade, mas fruto de formações discursivas específicas e relações de saber e poder que constituíram o alicerce para que o hospital abrisse suas portas na região, bem como para se manter em funcionamento até o ano de 2016. O objetivo desse trabalho é construir uma análise arquegenealógica da história da Casa de Saúde Santa Teresa. Para tanto propõe-se a trabalhar com análise de jornais, revistas e fotografias ilustrativas referentes à instituição, os quais possibilitam a preservação da memória de uma época e povo, mas especialmente o reconhecimento das forças de sustentação dessa instituição. Foram consultadas além de duas publicações jornalísticas importantes do Cariri cearense (jornal A Ação e revista Itaytera – de 1963 a 1990), os jornais O povo, Diário do Nordeste e Jornal do Cariri (1990 a 2016). As imagens foram divididas em três blocos de tempo, a saber: 1900 a 1970, quando da abertura do hospital; 1970-1990, anos de abastado funcionamento da Casa de Saúde e 1990-2016, período de tensões e fechamento do hospital. Nessas mesmas fontes documentais, buscou-se dados para a contextualização econômica, política e cultural do município do Crato, no intuito de articular a história e os discursos acerca do hospital com as produções políticas e culturais. O resultado consiste numa análise arquegenealógica da história de um hospital psiquiátrico localizado no sul do Ceará, contada através de notícias de jornais, revistas e fotografias ilustrativas, apontando as relações de saber e poder da lógica psiquiátrica manicomial como mecanismo de exclusão, bem como possibilitando análise da desconstrução do modelo hospitalocêntrico no Brasil enquanto resultado do movimento de Reforma Psiquiátrica.