Efeitos da 6-OHDA sobre o ritmo de atividade repouso e expressão circadiana de histamina no sistema nervoso central de ratos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Brandão, Luiz Eduardo Mateus
Orientador(a): Cavalcante, Jeferson de Souza
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Programa de Pós-Graduação: PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOBIOLOGIA
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/30132
Resumo: A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa, de caráter progressivo e crônico, conhecida principalmente por comprometer o desempenho motor dos indivíduos acometidos em decorrência de uma disfunção do sistema dopaminérgico central. Apesar dessas características clássicas, hoje sabemos que a DP acarreta sintomas não-motores como a disfunção sexual, déficit cognitivo, prejuízo olfativo, depressão, transtornos de ansiedade, alterações de sono, alterações circadianas entre outros. Estes por sua vez, precedem os sintomas motores e estão relacionados com a desregulação de diferentes sistemas de neurotransmissão como o colinérgico, noradrenérgico, serotoninérgico e histaminérgico. Estudos post-mortem em humanos, ou desenvolvidos com modelos animais, demonstram um aumento na liberação de histamina, seus receptores e projeções, bem como sua relação com o comprometimento do sistema dopaminérgico e agravamento de sintomas da DP. A histamina desempenha um papel importante no sistema nervoso central de mamíferos, regulando de forma rítmica os níveis de alerta e a vigília. Levando isso em consideração, poucos trabalhos discutem como esse ganho de função histaminérgico ocorre e qual sua participação na fragmentação de atividade-repouso, sintoma não-motor comum na DP. Neste sentido, esta tese avalia, usando como ferramenta a administração intracerebroventricular da neurotoxina 6-hidroxidopamina (modelo animal para DP), as alterações no ritmo de atividade-repouso e sua relação com a produção circadiana de histamina no sistema nervoso central de ratos. Inicialmente, os animais passaram por cirurgia estereotáxica para implantação de cânulas-guias. Após recuperação cirúrgica, o registro do comportamento foi feito continuamente por 38 dias, divididos em 3 sessões: uma sessão prévia a infusão da droga, em condições de claroescuro 12:12h (BASAL LD - 14 dias); e duas sessões posteriores a injeção da droga, sendo a primeira em condições de claro-escuro (Post Infusion LD - 9 dias) e a última em escuro constante para expressão do ritmo em livre curso (Post Infusion DD - 14 dias). No 15º dia de registro, parte dos animais receberam 300µg da neurotoxina (grupo OHDA), enquanto demais receberam solução veículo (grupo CTR). Ao fim das sessões de registro comportamental, os animais foram perfundidos no meio do período de repouso (CT06) ou no meio do período de atividade (CT18) para análise imunohistoquímica das proteínas tirosina hidroxilase, histidina descarboxilase e bmal1 no encéfalo. A administração de 6- hidroxidopamina no terceiro ventrículo gerou um distúrbio progressivo no ritmo de atividade repouso dos animais nos períodos de claro-escuro e escuro constante, mas sem afetar a expressão das proteínas analisadas. Através de abordagens paramétricas e nãoparamétricas observamos um aumento na variabilidade de atividade ao longo do dia; redução da estabilidade do comportamento entre os dias; e uma forte redução de amplitude do ritmo. Dessa forma concluímos que a dopamina exerce papel importante na regulação do ritmo de atividade repouso, em condições de sincronização e livre-curso, mas não afeta a produção de histamina.