Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2016 |
Autor(a) principal: |
Laurentino, Josele Julião |
Orientador(a): |
Tavares, Maria Alice |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS DA LINGUAGEM
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/22367
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Resumo: |
Esta dissertação consiste em um estudo, baseado no funcionalismo linguístico norte-americano (GIVÓN, 1981, 1995, 2001; HOPPER, 1991), que investiga os usos do item linguístico TIPO em funções morfossintáticas e discursivas na fala de jovens natalenses. Para tanto, o corpus utilizado é composto de quatro entrevistas sociolinguísticas, integrantes do Banco de Dados FALA-Natal (TAVARES; MARTINS, 2014), realizadas com falantes de idades entre 15 a 21 anos, das quais coletamos 194 dados de ocorrência do nosso objeto de estudo. O principal objetivo desta pesquisa é mapear e descrever funções morfossintáticas e discursivas que o item sob enfoque tem desempenhado no português brasileiro (PB) falado em Natal/RN, sobretudo quanto às propriedades semântico-pragmáticas e estruturais caracterizadoras de cada uma dessas funções, tomando como fonte de dados a fala do grupo etário jovem, em que o TIPO ocorre com maior frequência. Este trabalho, somando-se a outros como Lima-Hernandes (2005), Rodrigues (2009), Castelano e Ladeira (2010), Thompson (2013) e Dória e Alves (2014), contribui para a descrição do PB, bem como fornece conhecimentos que sirvam de base para um ensino reflexivo, abrangente e profícuo de língua no nível básico, já que tratamos de fenômenos linguísticos presentes em situações comunicativas reais, mostrando que o TIPO desempenha papéis importantes na gramática. Além dos trabalhos supracitados, servem-nos como fundamento, ainda, as propostas de D’Arcy (2005) e de Levey (2006), que investigaram, no inglês, os usos do LIKE, elemento que se comporta pragmática e estruturalmente de forma bastante similar ao elemento aqui estudado, pois intentamos contribuir também com estudos funcionalistas de natureza tipológica, traçando uma breve comparação entre funções desempenhadas pelo TIPO no PB e pelo LIKE no inglês, e trazendo fundamentação, assim, para futuros estudos comparativos mais sistematizados entre amostras de fala do PB e do inglês, em suas diferentes variedades. Do cotejamento feito entre usos do TIPO e usos do LIKE também derivam conhecimentos úteis para o ensino de português e de inglês como línguas estrangeiras. Nossos resultados apontam doze funções desempenhadas pelo TIPO, sendo quatro funções classificadas como morfossintáticas, em que o item exerce papéis mais textuais, quais sejam: exemplificação, comparação, explicação e conclusão; e, oito funções classificadas como discursivas, em que exerce papéis mais interacionais, a saber: introdução fática, introdução de diálogo interno, marcação de imprecisão informacional, marcação de elaboração, marcação de reelaboração, marcação de ênfase, marcação de sequenciação e delimitação aproximativa. A função morfossintática que apresentou maior número de ocorrências do item foi a de exemplificação, provavelmente pelo fato de ser aquela em que o elemento está atuando por mais tempo. Em contrapartida, a que apresentou menor número foi a de conclusão, talvez por ser a mais inovadora. Em relação às funções discursivas, a que apresentou maior taxa de uso, inclusive no quadro geral das funções controladas, foi a de marcação de elaboração. Nesse caso, a grande quantidade pode estar relacionada à situação comunicativa da entrevista sociolinguística e à faixa etária dos usuários, tendo em vista que os empregos mais interacionais são os mais inovadores, conforme já diagnosticado em pesquisas anteriores de natureza sincrônica e diacrônica (cf. LIMA-HERNANDES, 2005; THOMPSON, 2013), o que nos leva a crer que TIPO tem seguido um percurso de gramaticalização no qual se estende funcionalmente do campo ideacional em direção ao campo interpessoal/interacional (cf. TRAUGOTT, 1982; ROMAINE; LANGE, 1991). Em termos estruturais, TIPO mostrou bastante mobilidade quanto à posição ocupada na oração, seja em papéis mais textuais, seja em papéis mais interacionais, corroborando a ideia de gramaticalização por expansão sintática, proposta por Traugott (2010; 2014). Quanto à comparação entre TIPO e LIKE do inglês, observamos que eles desempenham funções em comum (exemplificação, comparação, delimitação aproximativa e marcação de elaboração) e ocupam posições similares nas orações, possivelmente devido a pressões cognitivas e pragmáticas similares no que diz respeito aos percursos de gramaticalização seguidos pelos dois elementos. |