Qualidade microbiológica, veiculação de bactérias resistentes e caracterização genotípica do pescado comercializado em feiras livres em Municípios do Recôncavo da Bahia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Damacena, Sanmily Santos
Orientador(a): Barros, Ludmilla Santana Soares e
Banca de defesa: Fernandes, Marcílio Delan Baliza, Oliveira, Lilian Porto de
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Recôncavo da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Microbiologia Agrícola
Departamento: CCAAB - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://ri.ufrb.edu.br/jspui/handle/prefix/1087
Resumo: CAPÍTULO 1 = O pescado é um alimento que possui alto valor nutritivo, no entanto, pode ter sua qualidade comprometida em função de contaminações ao longo da cadeia de produção. Em mercados e feiras livres este fato pode ser agravado devido a forma de venda e de manipulação inadequadas. O trabalho teve como objetivo avaliar a qualidade microbiológica do pescado comercializado em feiras livres em municípios do Recôncavo da Bahia e caracterizar os isolados quanto à suscetibilidade a antimicrobianos e à presença de genes de virulência. Semanalmente, no período de abril a junho de 2018, foram analisadas 54 amostras de pescado comercializados nos municípios de Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus. Em cada coleta foram adquiridas duas amostras de tainha (Mugil brasiliensis), duas de sururu (Mytella sp.) e duas de chumbinho (Anomalocardia brasiliana), sendo realizadas três repetições em cada município. Para análise microbiológica foi feito a contagem total de bactérias heterotróficas mesófilas pelo método de plaqueamento em profundidade (pour plate) em Ágar Padrão para Contagem (PCA), bolores e leveduras por plaqueamento em superfície (spread plate) em Ágar Sabouraud Dextrose. Para contagem de coliformes totais e Escherichia coli foi feito plaqueamento em profundidade utilizando o Chromocult® Coliform Agar e para quantificação de Staphylococcus aureus foi utilizado o método rápido PetrifilmTM STX (3M Company). O perfil de sensibilidade dos isolados de S. aureus e E. coli a antimicrobianos comerciais foi determinado pelo método discodifusão. Realizou-se a extração do DNA dos isolados de E. coli e utilizou-se a Reação em Cadeia da Polimerase (PCR) para pesquisar o gene de virulência stx. A quantificação de coliformes totais variou de 0 a 9,50 log UFC/g. Bolores e leveduras e bactérias heterotróficas mesófilas apresentaram a maior quantificação, 9,95 log UFC/g e 9,78 log UFC/g, respectivamente. Para S. aureus, 85,4% dos isolados foram resistentes a penicilina, 79,2% a clindamicina e 75% a oxacilina. E. coli se mostrou resistente a nove antimicrobianos, com maior resistência para amoxicilina (88,4%), ampicilina (85,5%) e cefoxitina (82,6%). Não foi detectada a presença do gene stx em nenhuma amostra estudada. Diante dos resultados encontrados é possível concluir que as amostras de pescado comercializado em feiras livres nos municípios de Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus apresentam qualidade microbiológica insatisfatória, além de servirem de veículo para microrganismos resistentes. CAPÍTULO 2 = A comercialização informal de pescado é uma importante fonte de alimentos e de renda para muitas famílias, entretanto constitui uma preocupação na perspectiva da saúde pública, pois pode ter a sua qualidade comprometida durante a comercialização. O objetivo do trabalho foi avaliar a qualidade microbiológica do pescado comercializado em feiras livres em municípios do Recôncavo da Bahia, caracterizar os isolados quanto à suscetibilidade a antimicrobianos e pesquisar genes de virulência. Foram coletadas amostras de tainha (Mugil sp.), sururu (Mytella sp.) e chumbinho (Anomalocardia brasiliana) em feiras livres nos municípios de Cachoeira, Cruz das Almas e Santo Antônio de Jesus. Foram avaliadas a presença de mesófilos, bolores e leveduras, coliformes totais, Escherichia coli e Staphylococcus aureus. Os isolados de E. coli e S. aureus foram submetidos ao teste de susceptibilidade antimicrobiana. Foi realizada pesquisa do gene stx em isolados de E. coli. As quantificações de coliformes totais e S. aureus variaram de 0 a 9,50 log UFC/g, além disso foram encontradas elevadas contagens de mesófilos e bolores e leveduras. E. coli apresentou maior resistência (76,8%) a amoxicilina. S. aureus apresentou sensibilidade maior a gentamicina. O gene stx não foi identificado em nenhuma das amostras estudadas. Conclui-se que parte do pescado comercializado nas feiras livres destes três municípios apresenta qualidade microbiológica insatisfatória, podendo causar riscos à saúde do consumidor, além de servir de veículo para disseminação de bactérias resistentes a diferentes antimicrobianos.