Caracterização acústica das consoantes fricativas alveolares e alveopalatais produzidas por senegaleses em processo de aquisição do português brasileiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: Santos, Thalena Evangelista
Orientador(a): Brum-de-Paula, Mirian Rose
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pelotas
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Letras
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://guaiaca.ufpel.edu.br/xmlui/handle/prefix/14425
Resumo: Este trabalho tem por objetivo descrever, por meio de parâmetros acústicos, as consoantes fricativas alveolares [s, z] e alveopalatais [ʃ, ʒ] produzidas por imigrantes senegaleses em processo de aquisição do português brasileiro. Tenciona-se, também, verificar se há transferência fonético-fonológica da língua materna desses sujeitos, o wolof, ou de outras línguas que compõem o repertório linguístico do grupo — como o francês e o árabe — ao realizarem produções contendo as consoantes fricativas alveolares e alveopalatais. Pretende-se inferir, por meio da análise acústica, quais estratégias são empregadas pelos senegaleses na produção das fricativas e realizar uma caracterização linguística desses participantes, que residem em Rio Grande/Rio Grande do Sul. Foram coletados dados orais com dois grupos de informantes: Grupo S (composto por quatro locutores senegaleses) e Grupo B (composto por dois brasileiros monolíngues). Foram realizadas coletas de fala espontânea (Grupo S) e fala controlada (Grupo S e Grupo B). Para obtenção dos dados de fala espontânea, um questionário sociobiográfico foi aplicado. Para a coleta dos dados de fala controlada, as fricativas alveolares e alveopalatais foram inseridas em itens lexicais majoritariamente trissílabos, seguidas pelas sete vogais orais do PB, alocadas em sílabas tônicas e átonas. Os itens lexicais foram ilustrados por meio de recursos imagéticos, uma vez que a grafia das palavras poderia atuar nas produções. Pistas acústicas como (i) barra de vozeamento, (ii) duração, (iii) pico espectral, (iv) F2 de transição e (v) momentos espectrais foram aferidas. A análise acústica foi realizada por meio do software Praat (BOERSMA; WEENINK, 2020), versão 6.1.28. Os resultados de fala espontânea sugerem que todos os participantes senegaleses apresentam alguma dificuldade envolvendo parâmetros ligados à ausência/presença de vozeamento e ao ponto de articulação desses segmentos. Os resultados de fala controlada do Grupo B indicam que, por meio da duração, é possível distinguir as consoantes fricativas não vozeadas das vozeadas. Pistas acústicas, como pico espectral, F2 de transição, centroide e assimetria sugerem a distinção de ponto de articulação entre as fricativas alveolares e alveopalatais realizadas pelo Grupo B. Para o Grupo S, os valores desses parâmetros tendem a estar associados, na maioria dos casos, a produções alveolares, o que pode estar relacionado à dificuldade de realizar constrições na região alveopalatal do trato vocal. O participante S1 executa constrições na região alveopalatal somente diante das vogais altas /i/ e /u/ por meio do pico espectral, diante de /i/ por meio do F2 de transição, perante /i/ e /ɛ/, a partir do centroide. O participante S4 executa constrição na região alveopalatal por meio do pico espectral e do centroide nos contextos de /u/ e a partir do F2 de transição diante de /i/.