Discursos de valorização do professor: efeitos da interpretação no âmbito da formação discursiva do aparelho ideológico escolar

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: JAEGER, Dirce
Orientador(a): GRIGOLETTO, Evandra
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Letras
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/17297
Resumo: A abordagem trata de promover uma leitura desnaturalizante de discursos que se acham em funcionamento nas chamadas campanhas de valorização do professor veiculadas na mídia brasileira. Para tanto, selecionam-se recortes de materialidades produzidas pelos enunciadores: Movimento Todos pela Educação, Ministério da Educação (MEC) e jornalismo da Rede Globo de Televisão. O tratamento teórico desenvolve-se, predominantemente, a partir das reflexões de Pêcheux e Althusser, o que inscreve o percurso teórico e analítico da tese no espaço da Análise do Discurso francesa (AD) e seus diálogos com o materialismo histórico. Os movimentos de teorização, como desdobramentos das releituras de alguns dos textos fundadores da AD, apontam para as implicações contidas no continuum interioridade /exterioridade do gesto de interpelação ideológica e seus desdobramentos sobre o estatuto das formações discursivas, seus agentes e saberes. No tocante ao corpus, deparamo-nos com o funcionamento da formação discursiva do Aparelho Ideológico Escolar que reúne, sob o mesmo teto ideológico, discursos da docência como dom, missão, talento e profissão, dissipando efeitos de antagonismo e anacronismo entre eles e lançando luzes sobre seu funcionamento no âmbito da formação social capitalista. Nesse sentido, uma vez atravessado o efeito de evidência de sentidos, discursos de valorização do professor dão lugar a discursos de responsabilização/ imputação /culpabilização docentes, fazendo emergir a figura solitária, individuada pelo Estado, do professor responsável pelo (in)sucesso do aluno, o futuro da nação e o (não) desenvolvimento do país, enquanto apagam-se as demais instâncias materiais, institucionais e humanas co-implicadas no processo de Educação. Em funcionamento, dentre outros, os discursos do bom professor: aquele que usa seu dom/talento, cumpre sua missão e exerce a profissão de modo a desempenhar seu papel no modo de regulamentação da formação social capitalista. Se, por um lado, a identificação dos discursos de valorização do professor como discursos políticos da formação ideológica dominante do capital problematiza sobremodo os espaços de resistência e transformação (implicada no trinômio produçãoreprodução- transformação dos meios de produção capitalista); por outro, faz funcionar a distinção de Marx entre classe em si e classe para si. Perspectiva que promove novos efeitos de sentido para os docentes, no plural, não mais individuados pelo Estado enquanto “o bom professor” do modo de produção capitalista, mas dispostos a ousar refletir o que o movimento interpelador, que se dá no interior dos Aparelhos de Estado, não “lhes dá (e nunca dará) a pensar”.