Características Epidemiológicas e Clínicas das Intoxicações Provocadas por Espécies Vegetais em Seres Humanos no Estado de Pernambuco - Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: BALTAR, Solma Lúcia Souto Maior de Araújo
Orientador(a): MAIA, Maria Bernadete de Sousa
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/13216
Resumo: As intoxicações por espécies vegetais são motivo de atendimentos médicos emergenciais, tornando-se um problema de saúde pública em Pernambuco. Face à escassez de informações clínico-epidemiológicas que possam auxiliar no diagnóstico, tratamento e/ou prevenção das mesmas, este estudo teve como objetivos: i) identificar e catalogar as espécies vegetais tóxicas relatadas nos prontuários médicos do Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco (CEATOX) de 1992 a 2009; ii) verificar as características epidemiológicas e clínicas das intoxicações humanas ocasionadas por essas espécies e, iii) investigar os aspectos clínicos destas intoxicações relacionando os compostos bioativos presentes e a parte tóxica das espécies utilizadas. O estudo é transversal, retrospectivo, com abordagem quantitativa e descritiva, sendo o protocolo experimental aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital da Restauração (HR-PE). Para elaboração do artigo 1, considerou-se a amostragem total das intoxicações (214 casos) e para o artigo 2, apenas as famílias de maior ocorrência (140 casos). De acordo com os prontuários analisados no CEATOX, foram identificados 214 casos de intoxicação por plantas tóxicas no Estado de Pernambuco. Estas plantas foram catalogadas e distribuídas em 10 famílias botânicas (Apocynaceae, Araceae, Caesalpiniaceae, Cucurbitaceae, Euphorbiaceae, Poaceae, Leguminosae, Oxalidaceae, Moraceae, Solanaceae) e 24 espécies. Dentre estas, destacaram-se as Araceae (35,98%) - Dieffenbachia amoena Bull.; Calocasia antiquorum L.; Aglaonema commutatum Schott; Anthurium andraeanum L.; Zantedeschia aethiopica L. Spreng e Caladium bicolor Schott; Euphorbiaceae (23,83%)- Jatropha curcas L.; Jatropha gossypiifolia L.; Euphorbia tirucalli L.; Euphorbia millii L.; Ricinus communis L. e Manihot esculenta Crantz, seguida das Solanaceae (5,60%) – (Nicotiana glauca Graham; Brugmansia suaveolens (Willd.) Bercht. & J. Presl. As subnotificações representaram 13,08% dos casos investigados. As características epidemiológicas e clínicas dos pacientes revelaram predomínio de intoxicação no sexo feminino (52,34%), na faixa etária entre 1 a 4 anos (42,52%). Os acidentes ocorreram predominantemente em residências (72,90%) situadas na área urbana (74,30%) da região metropolitana do Recife. A maioria das intoxicações ocorreu nos meses de fevereiro, agosto e outubro, motivados pelo uso de plantas tóxicas em brincadeiras infantis (55,14%), com intenção terapêutica (18,23%), tentativa de aborto (9,81%) e de suicídio (6,07%) e alimentícia (7,94%). Os sintomas clínicos revelaram necessidade de internação (85,94%) e de observação clínica (45,31%) para os pacientes. De acordo com o Protocolo de Urgência e Emergência consultado, a maioria das intoxicações foi classificada como aguda moderada (66,35%) e os pacientes evoluíram para cura. Em crianças, dentre as manifestações clínicas geradas pela ingestão de folhas e caules de D.amoena constatou-se: náusea, diarreia e edema de lábio e língua e por frutos e folhas de J.curcas e raiz de M.esculenta, dor abdominal, vômito e diarreia. Os resultados gerados a partir deste estudo representaram as primeiras informações clínico-epidemiológicas a serem publicadas referentes às intoxicações causadas por espécies vegetais, em Pernambuco.