Ensino do gênero crônica na Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro : ecos da tradição e novas práticas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: LUNA, Tatiana Simões e
Orientador(a): CUNHA, Dóris de Arruda Carneiro da
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Letras
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/33926
Resumo: Esta tese tem como principal objetivo investigar o ensino do gênero crônica no âmbito da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro (OLPEF). Apresenta dois focos centrais de análise: a didatização do gênero realizada pela OLPEF e os impactos desse processo nos discursos docente e discente, isto é, o modo como ambos os sujeitos dialogam com as orientações do Programa e assinalam seu posicionamento axiológico autoral. O corpus é formado pelos materiais didáticos da quinta edição da OLPEF, em 2016, em especial o Caderno do Professor “A ocasião faz o escritor”, e pelos textos vencedores na categoria crônica dessa edição: sete relatos de prática docentes e cinco crônicas estudantis. Todo o percurso do trabalho é norteado pela noção de gêneros, de relações dialógicas e de posicionamento axiológico de base bakhtiniana (BAKHTIN, [1922-1924] 2012, [1929] 2015a, [1934-1935] 2015b, [1952-1953] 2016a), que fundamentam a análise qualitativointerpretativa do corpus. Congruentes com essa perspectiva, situamos o contexto de circulação dos dados, indicando a trajetória da OLPEF, o papel dos agentes envolvidos no Programa e as concepções de autor e destinatário que ela constrói. Para observamos a abordagem da crônica nos materiais didáticos, também convocamos pesquisadores da Linguística Aplicada (COSSON, 2009; DALVI, 2013; GERALDI, 1997, [1984] 2004, 2010b, 2010c, 2010d; KLEIMAN, 2006, 2007; ROJO, 2009); assim como recorremos a Authier-Revuz (1995, 1998, [1982] 2004, 2007, [2004] 2015), a Volochínov ([1929] 2017), a François (1998, 2015) e a Cunha (1992, 2015), dentre outros, para analisarmos a constituição dialógica dos pontos de vistas dos textos vencedores. Os resultados mostram que a OLPEF apresenta uma coletânea diversificada de crônicas e investe na aprendizagem das etapas da produção escrita, aderindo às novas práticas de ensino que consideram seu caráter processual. No entanto, também traz vestígios do ensino tradicional da produção escrita, pois as oficinas do Caderno do Professor estabelecem um modelo prototípico de crônica, voltando-se particularmente para as suas unidades linguístico-estilísticas, como as figuras de linguagem, e pouco discutem a temática proposta pelo concurso e o contexto de produção e recepção dos textos. Verificamos ainda que os relatos docentes revelam adesão quase irrestrita à proposta pedagógica do Programa, mas também marcam seu posicionamento ao formularem estratégias didáticas para problematizar o tema “O lugar onde vivo”. Por fim, observamos que as crônicas estudantis se apropriam dos elementos tidos como constitutivos do gênero pela OLPEF, embora assinalem seus pontos de vista a partir de variados tons emotivo-volitivos e modos de organização estilístico-composicional.