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Caracterização estrutural e atividades biológicas da mucilagem do fruto de Cordia Africana

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: ARAÚJO, Maria Isabela Ferreira de
Orientador(a): CORREIA, Maria Tereza dos Santos
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Ciencias Biologicas
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/55092
Resumo: A Cordia africana é uma espécie vegetal distribuída em áreas de clima tropical e subtropical, amplamente utilizada na medicina popular como anti-inflamatória, antiparasitária e para aliviar desordens gástricas. A polpa mucilaginosa do fruto é rica em polissacarídeos e polifenóis com características químicas e efeitos biológicos pouco explorados. Diante disso, este estudo teve como objetivo extrair e caracterizar estruturalmente os polissacarídeos e polifénois presentes na mucilagem de C. Africana e avaliar seu potencial biotecnológico como fonte de prebióticos. A mucilagem (MUC) foi obtida por extração aquosa à quente (100 °C por 20 min) e concentrada por precipitação etanólica (1:3 v/v). Espectroscopia de infravermelho, cromatografia por exclusão de tamanho, cromatografia gasosa, cromatografia líquida de alta eficiência- espectrometria de massas e microscopia eletrônica foram empregados para a caracterização da MUC. Além disso, MUC foi avaliada quanto à sua natureza toxicológica in vivo, efeito protetor na colite ulcerativa induzida por dextrano sulfato sódico (DSS) in vivo, efeito prebiótico, atividade antioxidante, bioacessibilidade gastrointestinal e modulação da microbiota intestinal humana in vitro. A extração promoveu um rendimento de 7,2 % de MUC, contendo 192 mg/g de carboidratos, 43,7 mg/g de acido uronico, 61,09 mg GAE/g de polifenois totais e 40,2 mg GAE/g de polifenois conjugados. A MUC apresentou massa molar de 6,53 x 104 g/mol e sua análise por FT-IR mostrou bandas de absorção típicas de polissacarídeos (C-O-C e C-C) e polifenóis conjugados com espectros de absorção em torno de 1400 a 1600 cm-1. O perfil polifenólico demonstrou presença de ácido cítrico, ácido seríngico, ácido hidroxibenzóico e acido dihidrocafeico. A MUC se mostrou atóxica na dose de 2000 mg/kg e exerceu um efeito protetor significativo na colite induzida por DSS, aliviando a redução do peso corporal e encurtamento do cólon, além de promover efeitos anti-inflamatórios inibindo enzimas oxidantes como mieloperoxidase e peroxidase eosinofílica. A MUC estimulou o crescimento de cepas de Lactobacillus, Bifidobactérias adolescentes e Akkermansia muciniphila em cultura in vitro, e a fermentação dessa última culminou na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs). A digestão gastrointestinal da MUC alterou o perfil fenólico da amostra (antes da digestão: 61,09 ± 2,42 mg GAE/g; após a digestão: 26,82 ± 0,36 mg GAE/g), resulatando em uma bioacessibilidade de 43,90 %. A fração não-digerível da MUC submetida à fermentação fecal in vitro produziu AGCCs e promoveu um aumento do gênero Bacteroides. Em conclusão, testes in vitro e in vivo demonstraram que a mucilagem de C. Africana é uma fonte promissora de prebióticos e exerce efeitos positivos de modulação da microbiota intestinal.