O discurso camusiano sobre suicídio : um olhar sobre os modos de dizer o suicídio na obra a queda
Ano de defesa: | 2023 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Pernambuco
UFPE Brasil Programa de Pos Graduacao em Letras |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/55475 |
Resumo: | Esta pesquisa se propôs a analisar os modos de dizer o suicídio na obra A queda (1956), escrita pelo filósofo Albert Camus (1913-1960), apontando formas de como esses modos de dizer se entrelaçam às redes de construções simbólicas atravessadas pelo tema. Foram delineados pontos de (des)estabilização dessas redes que atravessam as formas de dizer o suicídio no referido texto e seus efeitos de sentido acerca da compreensão dessa prática. Camus apresenta sua filosofia elaborando angústias e dilemas de seu tempo através de dispositivos literários. Suas produções constituem um objeto de estudo relevante tanto do ponto de vista da literatura como da filosofia, provocando um grande impacto na construção do pensamento do século XX (LINS, 2016). Assim, a partir da perspectiva de Pêcheux (2009; 2014; 2011a; 2011b; 2012; 2015), procurou-se compreender os efeitos de sentido sobre o termo suicídio que se constroem na escrita de Camus no tocante aos possíveis lugares dessa noção no texto A queda. Partiu-se, da função da arte enquanto recurso de trabalho simbólico para elaboração de estruturas sociais, oferecendo como recurso construções diferentes de sentido ao provocar outras compreensões discursivas. Destaca-se aqui o trabalho da Análise de Discurso (AD) como dispositivo teórico- analítico que possibilita gestos de leitura sobre compreensões discursivas em diferentes ordens e cuja concretude se produz por meio das diversas materialidades produzidas a partir de um lugar político-ideológico. A AD foi trazida como uma possibilidade de amplificação do trabalho simbólico através da língua fazendo sentido, formando noções de seu contexto, das condições de produção discursivas e, consequentemente, das posições históricas anteriormente assumidas. Para análise, foram delineadas sequências discursivas do corpus, as quais tocaram a construção da noção de suicídio. A partir desse movimento, foi possível explorar apontamentos de efeitos de sentido compondo o suicídio como um movimento facetado por dimensões polissêmicas pautadas em concepções como enigma, punição, ressentimento, entre outras. Na insistência em escutar o implícito no discurso, encarando a dimensão da incompletude na linguagem, ao entender que questionar a morte voluntária dentro das produções de sentido hegemônicas abre espaço para uma escuta polissêmica dessa prática e, assim, de suas estratégias de cuidado foi traçado ainda um gesto de leitura sobre as formas de compreender-dizer o suicídio e sua prevenção na Política Nacional de Prevenção à Automutilação e ao Suicídio. Movimentou-se, assim, pela noção de escuta discursiva na qualidade de um gesto de resistência um conjunto de questionamentos-reformulações acerca da prática suicida no texto da política, escolhido por sua representação enquanto regulação oficial no tocante ao cuidado e manejo sobre essa prática no Brasil. Partindo das construções teóricas lacaniana, foi discutida ainda a compreensão do suicídio também enquanto ato significante motor de uma instância metafórica diante do desejo pelo morrer. Promoveu-se, assim, movimentos de tensão e ruptura na rede de significações posta, abrindo interrogações diante dessa prática, colocando-a como pluralizada e distante de uma concepção unívoca do suicídio. Diante do exposto, foi possível construir uma abertura para a compreensão da morte voluntária enquanto uma experiência dotada de uma heterogeneidade semântica, a qual viabiliza não apenas a ampliação de possíveis fatores condicionantes e possibilidades outras de cuidado, mas o encontro com a dimensão do agir enquanto linguagem. |