Emaranhados sociais, políticos e fantasmáticos no sistema avaliativo educacional pernambucano : nas assombrações constitutivas, o que deixamos de enxergar?

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: SILVA, Divane Oliveira de Moura
Orientador(a): CUNHA, Kátia Silva
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Educacao Contemporanea / CAA
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/49861
Resumo: A presente pesquisa problematiza a avaliação educacional utilizada pela rede estadual de Pernambuco por meio do Programa de Modernização da Gestão Pública - Metas para a Educação. Ao compreendermos o campo educacional como campo político, nos ancoramos na ontologia política pós-estruturalista formulada pela Teoria do Discurso de Ernesto Laclau e Chantal Mouffe ([1985] 2015), com a articulação interpretativa proposta por Jason Glynos e David Howarth (2007). Nosso objetivo é compreender a articulação hegemônica que possibilita à política pública pernambucana intentar a padronização avaliativa das escolas da rede estadual de ensino. Formam o corpus da pesquisa: documentos oficiais - locais e nacionais, fontes bibliográficas, notícias veiculadas em diferentes mídias, websites, pronunciamentos oficiais. Sinteticamente, aspiramos oferecer as seguintes contribuições relacionadas à avaliação do sistema educacional pernambucano: (a) caracterização e transformação de seus regimes e práticas discursivas; (b) exposição de maneiras pelas quais ela prende e seduz os sujeitos; (c) explicação crítica dos objetos e condições discursivas que tornam os padrões ou rotinas de articulações possíveis. Portanto, criticamente envolvemos um plano sincrônico para a caracterização e um plano diacrônico para a identificação da reprodução e/ou subversão, trazendo à tona as normas tidas como certas e legítimas do sistema avaliativo em foco, as quais possibilitam sua hegemonia. Nossos resultados apontam que as práticas examinadas são constitutivamente guiadas por lógicas discursivas, cuja opacidade envolve a construção de significados em torno da modernização, por meio de jogos de linguagem nas dimensões sociais, políticas e fantasmáticas. O mecanismo articulatório dessas lógicas oculta a contingência e precariedade política, especialmente pelo controle ideológico assombroso que a prática modernizadora exerce sobre o discurso da avaliação educacional pernambucana, oferecendo uma narrativa gratificante às pessoas, com vistas a desmobilização, despolitização e aceitação das normas sociais.