Fatores biológicos e comportamentais no início da vida : associação com o consumo alimentar e a inatividade física de adolescentes brasileiros

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: ANDRADE, Maria Laura Siqueira de Souza
Orientador(a): LIRA, Pedro Israel Cabral de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Nutricao
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/38614
Resumo: Estudos indicam que fatores biológicos e comportamentais no início da vida, a exemplo do baixo peso ao nascer, nascimento pré-termo e menor duração de aleitamento materno podem influenciar o consumo alimentar e a inatividade física na infância e adolescência. Neste sentido, este trabalho buscou verificar a associação entre fatores biológicos e comportamentais no início da vida com o consumo alimentar e a inatividade física de adolescentes brasileiros. Trata-se de um estudo transversal de base escolar, de caráter analítico e abordagem quantitativa, que faz parte de uma pesquisa nacional e multicêntrica intitulada “Estudo de riscos cardiovasculares em adolescentes” (ERICA). A amostra foi composta por 36.956 adolescentes brasileiros de ambos os sexos, na faixa etária entre 12 e 17 anos. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, biológicas e comportamentais, através de questionários auto preenchidos pelos adolescentes. As variáveis dependentes relacionadas ao consumo alimentar foram à ingestão energética total e os percentuais de consumo de macronutrientes (carboidratos, lipídeos e proteínas), as quais foram baseadas nas recomendações das Dietary Reference Intakes. Já no que diz respeito ao nível de atividade física, os jovens foram classificados em ativos “>300 min/sem” e insuficientemente ativos “≤300 min/sem”, determinado pelo Self-Administered Physical Activity Checklist. As análises dos dados foram realizadas no STATA 14.0, com o emprego de estatísticas descritivas (frequências absolutas e relativas) e analíticas (regressão de Poisson e regressão Linear Múltipla), com respectivas Razões de Prevalência (RP), Coeficiente Beta (β) e Intervalo de Confiança de 95% (IC95%), considerando significantes valores p≤0,05. Dentre a amostra total, verificouse que 54,8% dos adolescentes foram insuficientemente ativos, sendo observado maior prevalência entre aqueles pertencentes à baixa (RP=1,35; IC95%: 1,21-1,50) e média classe socioeconômica (RP=1,21; IC95%: 1,10-1,33); estar distribuídos nas regiões Norte/Nordeste (RP=1,06; IC95%: 0,98-1,14) e Sul/Sudeste (RP=1,11; IC95%: 1,03-1,19), ser do sexo feminino (RP=1,77; IC95%: 1,68-1,88) e ter idade mais avançada (RP=1,10; IC95%: 1,06-1,14). Já o sobrepeso (RP=0,95; IC95%: 0,91-1,00) e obesidade (RP=0,93; IC95%: 0,87-1,00) foram considerados fatores de proteção para a inatividade física. No entanto, para a inatividade física não foram encontradas associações significativas com os fatores no início da vida. No que tange o consumo alimentar, verificou-se que a mediana de consumo energético foi de 2.545 kcal para os meninos (IQ: 1542,5-2820,7) e de 1.731 kcal para meninas insuficientemente ativos (IQ: 1509,1-2127,5). Além disso, os adolescentes nascidos com baixo peso demonstraram ter -94,8 kcal no consumo energético (IC95%: -177,2; -12,3, p=0,024) e 1,25% a mais no consumo de carboidratos (IC95%: 0,15; 2,34, p=0,025) comparados aos que nasceram com peso adequado. Já os adolescentes que receberam aleitamento materno exclusivo ao seio por >6 meses ingeriam significantemente 1,32% a mais de lipídios do que os que receberam por <3 meses (IC95%: 0,37; 2,26, p=0,006). Conclui-se que os fatores sóciodemográficos atuais apresentam-se associados à inatividade física, enquanto os fatores biológicos e comportamentais no início da vida foram mais determinantes no consumo alimentar de adolescentes brasileiros.