Dos nós em nós: um estudo acerca das categorizações raciais com crianças do ensino fundamental em Camaragibe-PE

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: DUARTE, Rebeca Oliveira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
UFPE
Brasil
Programa de Pos Graduacao em Psicologia Cognitiva
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/17062
Resumo: O cenário atual das relações raciais brasileiras persiste em apresentar processos de desigualdades, segregação e violências que atingem, sobretudo, as populações negras e indígenas. Como parte do reconhecimento de um processo histórico em que essas populações representam grupos vulneráveis, mas ainda assim constitutivos da formação nacional, a Lei nº 10.639/03 propõe, com a inclusão do ensino da História e Cultura Africana e Afro-brasileira, conduzir um trato pedagógico da temática como instrumento de combate ao racismo e fortalecimento do direito à diferença. Desta forma, o objetivo do presente estudo foi investigar aspectos relevantes para a elaboração e planejamento de ações voltadas a uma educação antirracista das relações raciais. Optando por uma pesquisa-ação, realizamos uma intervenção pedagógica e construímos dados antes e depois de sua realização, com o objetivo de levantar questões relativas às reações das crianças com a introdução da temática da História e Cultura Africana e Afro-brasileira. Assim, realizamos quatro estudos. O primeiro construiu uma base de categorias raciais, tendo sido realizado com 27 adultos(as) que cumpriram o papel de juízes(as). Com esta base, desenvolvemos os demais estudos, realizados com 73 crianças do ensino fundamental em escola pública municipal de Camaragibe/PE acerca das categorizações, representações sociais e autocategorizações raciais, relacionadas à formação de identidade social. Resultados indicaram que as crianças realizam categorizações sociais pelos aspectos fenotípicos, além de reproduzirem representações sociais de negras(os) e brancas(os) constituídas sobre estereótipos racistas, o que se relaciona a uma forte rejeição das crianças negras em relação ao seu grupo social; rejeição essa que, estruturada sobre o contexto da invisibilização negra, mobiliza grande resistência das crianças quanto à introdução da temática racial. Observamos que tanto o grupo controle quanto o experimental apresentaram variações após a intervenção pedagógica, embora apenas o segundo a tenha vivenciado. O sentido das variações, porém, nos permitiram chegar à conclusão de que as crianças demonstram as contradições de uma pedagogia da mestiçagem, observando as categorizações raciais do entorno, percebendo-se negras, mas que, ao mesmo tempo, por viverem sob representações sociais racistas, buscam elementos de embranquecimento para fugirem de seu grupo racial. Atividades pedagógicas isoladas em datas comemorativas ou em projetos circunstanciais, portanto, não atuarão sobre as barreiras que o racismo impõe nas relações entre as pessoas e das pessoas consigo mesmas; antes, poderão mesmo estimular uma reação contrária de negação e reforço de estereótipos, sendo necessário redimensionar o trato pedagógico da questão racial para a constituição de uma pedagogia do reconhecimento da diferença.