Queima e colheita da cana-de-açúcar em pernambuco : impactos socioambientais nas comunidades do Refúgio de Vida Silvestre Gurjaú

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: SILVA, Severic Gleybson da
Orientador(a): RODRIGUES, Gilberto Gonçalves
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Desenvolvimento e Meio Ambiente
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/52292
Resumo: A utilização do fogo na colheita da cana-de-açúcar produz impactos socioambientais, ocasionando sérios danos ao meio ambiente. Além dos impactos no ambiente, os moradores das comunidades vizinhas sofrem com a incidência de doenças respiratórias. Nesse sentido, tem-se como objetivo analisar, os impactos socioambientais ocasionados pelo uso do fogo e implantação gradativa das tecnologias nas regiões produtoras de cana-de-açúcar. A pesquisa foi desenvolvida nas comunidades de Porteira Preta, Pau Santo, Rua da Cachoeira e Usina Bom Jesus, localizadas no Refúgio de Vida Silvestre nas Matas do Sistema Gurjaú (RVS) que está localizado na Região Metropolitana do Recife, abrangendo o Município do Cabo de Santo Agostinho. Utilizou-se da metodologia qualitativa, descritiva, empregando entrevistas semiestruturadas e observação direta. O tratamento dos dados obtidos ocorreu a partir da análise de triangulação de dados. Foram entrevistados 70 moradores, sendo 50 homens e 20 mulheres, com idade entre 18 e 70 anos, com escolaridade média de 1a e 4a série entre os entrevistados acima de 24 anos. A pesquisa revelou que a diminuição do uso do fogo nos canaviais, pode reduzir consideravelmente os impactos socioambientais. Foi possível identificar a percepção dos moradores e trabalhadores do corte da cana-de-açúcar sobre os impactos socioambientais presentes no RVS em decorrência do uso do fogo no canavial no período da colheita e o agravamento das doenças respiratórias durante a pandemia do COVID-19. Constatou-se, o baixo número de publicações sobre a temática específica da saúde humana relacionada às queimadas dos canaviais. Além disso, 64% dos entrevistados declararam ter algum tipo de comorbidade, 20,5% apresentam doenças respiratórias e associaram os desconfortos causados por essas doenças à queima da cana-de-açúcar. As determinações legais de proteção às unidades de conservação com característica de proteção integral não têm sido observadas e que a substituição da queima pela mecanização pode melhorar as condições locais de saúde, mas provoca impactos sociais como o aumento do desemprego. Os resultados evidenciam a necessidade da elaboração do plano de manejo do RVS Gurjaú, a fim definir critérios mínimos para a caracterização do território, como embasamento para a elaboração do zoneamento, exigindo o cumprimento da distância mínima dos aceiros. Além da construção permanente de um debate entre Conselho Gestor, entidades de proteção e preservação do meio ambiente, Poder Público, sociedade civil e empresários do setor sucroalcooleiro.