Questão urbana e injustiças territoriais : a (in)mobilidade das mulheres negras nas cidades

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: SILVA, Mércia Maria Alves da
Orientador(a): COSTA, Mônica Rodrigues
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Servico Social
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/55106
Resumo: Esta tese tem como centralidade as desigualdades de gênero no espaço urbano, em especial as interdições das mulheres negras em sua mobilidade urbana. Problematizamos como a cidade é expressão constitutiva, material e simbólica do sistema de dominação-exploração que se estrutura por meio das desigualdades de classe, gênero e raça, promovendo processos segregatórios e de violência sexista profundamente racializados na vivência territorial, além de a dimensão espacial reproduzir as construções sociais e representações sob a ótica do binarismo das categorias de sexos. Para a apreensão do real, trabalhamos com elementos que expressam as experiências das mulheres negras na mobilidade urbana, que diz respeito ao ir e vir do local de moradia ao trajeto cotidiano em razão da vida produtiva e da reprodução social e de cuidados. A perspectiva adotada para o estudo da questão social urbana considera a desigualdade de gênero na mobilidade e para uso do transporte coletivo, incluindo a diferença de tempo socialmente gasto, entre homens e mulheres, ancorada na interseccionalidade das opressões e alinhada às preocupações do feminismo negro e antirracista. O objetivo geral do trabalho é analisar as tendências e contradições do modelo de urbanização sobre o sistema de transporte coletivo e as inflexões que são provocadas no cotidiano de mobilidade das mulheres populares e negras para sua produção e reprodução social, considerando a interseccionalidade de classe, raça e gênero/vivência sexual. Para tanto, recorremos à realização de pesquisa documental em três jornais locais, observação da circulação em dois terminais integrados de passageiros(as) na cidade do Recife e quinze entrevistas, sendo dez com militantes feministas e cinco usuárias, não militantes, do transporte coletivo. Os resultados apontam que as mulheres populares e negras vivenciam a mobilidade urbana em condições inseguras, precárias e violentas. As mulheres denunciam situações como: crescente medo frente aos riscos de violências físicas – roubos, abusos sexuais, importunações, estupros – a qualquer hora do dia e em qualquer local;e o tempo de desgaste e exposição gerados pela precariedade dos transportes públicos e coletivos na sua dinâmica cotidiana. Neste termos, concluímos que as mulheres vivenciam, de modo diferente e desigual e em termos de tempo e espaço, os deslocamentos cotidianos na cidade, em razão das determinações e imposições da divisão sexual e racial do trabalho advindasda estrutura patriarcal- colonial-racista, que, por sua vez, constitui o espaço sociourbano centrado na figura masculina, no padrão da supremacia branca, que molda a dimensão física e espacial das cidades promotora de um ambiente inóspito às mulheres marcadopela insegurança,medo e pelo controle político- sexual sobre seus corpos.