Efeitos do desmame precoce sobre a memória e o sistema serotoninérgico em ratos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2021
Autor(a) principal: MIGUEL, Rafael Danyllo da Silva
Orientador(a): SOUZA, Sandra Lopes de
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pos Graduacao em Neuropsiquiatria e Ciencia do Comportamento
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/40238
Resumo: O desmame precoce (DP) é uma das agressões perinatais capazes de promover alterações neurocomportamentais que perduram ao longo de toda a vida. Este estudo teve por objetivo investigar as repercussões que o DP promove em testes de memória para localização (LO) e reconhecimento de objetos (RNO), na memória aversiva (MA), comportamento semelhante à depressão e na expressão de RNAm para os receptores 5-HT1A, 5-HT1B e 5-HT2A no hipocampo. Para isto, foram utilizados ratos Wistar de ambos os sexos que compuseram o grupo DP de machos (DPM, n= 20) e fêmeas (DPF, n=18), onde o desmame ocorreu no 15º dia de vida; e o grupo controle de machos (CM, n=18) e fêmeas (CF, n=16), desmamados no 30º dia. Os testes utilizados foram o teste de localização de objetos (TLO) seguido do teste de reconhecimento de objetos (TRNO), este último com ou sem uso de fluoxetina (i.p. 10mg/kg). Em seguida, foram realizados o labirinto em cruz modificado (TLCM) e o teste de suspensão pela cauda (TSC). Por fim, os animais foram eutanasiados pelo uso da guilhotina e seus hipocampos dissecados para análise por PCR em tempo real. Na memória de curta duração, o DPM obteve índices de localização de objetos (ILO) menores (23,23 ± 30,52) que o CM (50,85 ± 13,89; p=0,041), e menor entre DPF (24,18 ± 5,84) e CF (51,2 ± 16,35; p=0,017). Já para a memória de longa duração, o ILO foi menor em DPM (0,94 ± 6,18) que em CM (37,42 ± 25,79; p=0,004) e menor em DPF (24,18 ± 5,84) comparado com CF (51,27 ± 16,35). No TRNO de longa duração, DPM apresentaram Índice de Discriminação do Novo Objeto (IDNO) menores (-5,11 ± 6,16) que os CM (21,85 ± 11,68), e não diferiu entre DPF (27,42 ± 25,91) e CF (24,49 ± 15,31). Após a manipulação farmacológica, os DPM-fluoxetina apresentaram maiores (54,96 ± 9,5) IDNO do que os DPM-salina (36,28 ± 8,29). Além disso, não se observou diferença entre CM-salina (59,62 ± 5,03) e CM-fluoxetina (61,60 ± 12,08); e nem entre este último grupo e o DPM-fluoxetina. Não se observou diferenças entre as CF-fluoxetina (9,41 ± 4,99) e CF-salina (11,75 ± 7,06); nem entre DPF-fluoxetina (9,28 ± 3,82) com DPF-salina (19,52 ± 8,49). No TLCM, não se observou diferenças entre os grupos experimentais avaliados. Adicionalmente, DPM apresentaram maior tempo de imobilidade no TSC (75,22 ± 49,16) que os CM (20 ± 19,46; p=0,026); não apresentando diferenças entre os grupos DPF e CF. As análises moleculares apontaram que os DPM possuíam maior expressão para os receptores 5-HT1A e 5-HT1B e redução de 5-HT2A quando comparado com o grupo CM. Já nas fêmeas, houve aumento dos receptores 5-HT1A e 5-HT1B e não modificou os 5-HT2A no grupo DPF comparado com CF. Esses resultados apontam que o desmame precoce afeta diferentemente a memória e a expressão dos receptores 5-HT1A, 5-HT1B e 5-HT2A no hipocampo de machos e fêmeas.