Conversando com a mãe e com a terapeuta: o lugar da criança surda no diálogo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: Câmara Lima Alves de Souza Pimentel, Natália
Orientador(a): da Conceição Diniz Pereira de Lyra, Maria
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Pernambuco
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://repositorio.ufpe.br/handle/123456789/8167
Resumo: Este trabalho analisou, através dos relatos das mães e das terapeutas, o lugar atribuído à criança surda no diálogo. Para tanto, foram analisados os relatos de conversas, de 26 mães de crianças surdas (13 destas crianças estavam freqüentando terapia fonoaudiológica e 13 não estavam) e seis terapeutas (fonoaudiólogas ou estagiárias de fonoaudiologia) destas crianças. Para realizar a coleta dos dados, foi solicitado às participantes que relatassem conversas que tiveram com a criança. Estas conversas poderiam ser com relação a assuntos ou então conversas que surgiram em alguma situação do cotidiano. Os dados foram coletados individualmente e gravados em áudio. Após a transcrição dos dados, os mesmos foram enquadrados em quatro modalidades diferentes no que se referia ao grau de engajamento e negociação que os referidos relatos estavam apresentando com relação às trocas dialógicas dos sujeitos, ou seja, se baseando na perspectiva dialógica de comunicação, na qual os parceiros devem agir como co-autores das ações. No presente estudo, este grau de engajamento e negociação seria uma forma de observarmos se através do que foi relatado pelas participantes, se as mesmas possibilitavam ou não a criança ser co-autora no processo de comunicação. Os recursos para se comunicar com a criança também foram analisados de acordo com as respostas obtidas através do questionário que foi respondido pelas participantes no fim da coleta dos dados. Os resultados demonstram que as mães das crianças surdas que já freqüentavam terapia fonoaudiológica obtiveram melhor desempenho com relação a provável aceitação da criança surda no diálogo. Já as mães de crianças surdas que não freqüentavam terapia fonoaudiológica, obtiveram desempenhos menores com relação às demais mães, porém, algumas mães relataram diálogos com a criança, inferindo-se que, possivelmente, forneceram espaço para as crianças se posicionarem como parceiros na comunicação. Confirmando a tendência que as mães possuem em estabelecer comunicação com seu filho, mesmo ele sendo surdo. Já com relação às terapeutas, de acordo com os dados obtidos, pode-se sugerir que houve um empate com relação à posição da criança no diálogo de acordo com os relatos. Pode-se sugerir que a terapia fonoaudiológica auxilia na comunicação, mas que mesmo sem freqüentar terapia, possivelmente, as mães podem aceitar a criança como capaz de estabelecer diálogo, mesmo com o comprometimento auditivo interferindo nesta comunicação. De acordo com os dados obtidos através da análise das respostas do questionário, pode-se sugerir que as participantes usufruíam de todos os recursos (gestos, LIBRAS e outros) que lhes fossem eficazes para poder se "fazerem entender" e impor significados no outro