Interações e relações sociais de macaco-prego (Sapajus apella) em cativeiro com isolamento do indivíduo durante a alimentação: um estudo descritivo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: SIMÕES, Andrei de Souza lattes
Orientador(a): GAROTTI, Marilice Fernandes lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Pará
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento
Departamento: Núcleo de Teoria e Pesquisa do Comportamento
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/10592
Resumo: O comportamento de grupos de Sapajus apella que vivem em ambiente natural, cativeiro e semi-cativeiro tem sido objeto de pesquisa científica. O termo cativeiro faz referência a condições ambientais planejadas com o propósito de assegurar a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos, como caixas individuais de alimentação, rotas de fuga em caso de ataques físicos, ausência de fêmeas em algumas gaiolas, e mesmo a retirada de filhotes para garantir sua sobrevivência. Considerando que essas restrições minimizam parâmetros relevantes envolvidos na compreensão da estrutura social do macaco-prego, tais como cuidado parental, reprodução, forrageamento e pressão intra e entre grupos, este estudo tem como objetivo identificar e descrever as interações e relações observadas em ambientes de cativeiro. Para isto, as relações em três gaiolas da Escola Experimental de Primatas (UFPA) entre quatro indivíduos residentes em cada uma delas foram filmadas e, de acordo com a literatura, categorizadas como não interativas, afiliativas e agonísticas. Os registros das categorias foram realizados com base em sujeito focal, que permitiu detectar as diferentes interações e relações desenvolvidas neste cativeiro, bem como a elaboração de matrizes relativas à troca de favores sociais. Em resumo, observou-se uma redução de comportamentos agonísticos entre os indivíduos nas gaiolas quando comparados com dados da literatura para a espécie em ambiente natural; em uma das gaiolas, contendo quatro indivíduos juvenis, houve maior frequência de dois comportamentos afiliativos, brincadeira turbulenta e brincadeira social; a catação, uma das principais interações afiliativas em primatas, foi observada em baixa frequência, principalmente na gaiolas com adultos; houve alta frequência de comportamentos estereotipado nas gaiolas de adultos, mas não na de juvenis; e as hierarquias sociais foram parciais nas gaiolas de adultos, o que é normalmente observado apenas para grupos com vários indivíduos na natureza. Conclui-se, portanto, que as relações estabelecidas ao longo do tempo nas gaiolas servem para evidenciar o bem-estar dos grupos de indivíduos e são essenciais de serem conhecidas quando se pretende estudar animais em cativeiro.