Prevalência da infecção pelo vírus linfotrópico de células T humanas em mulheres de comunidades remanescentes de quilombos de Santarém, Pará

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: CARDOSO, Fernanda Jacqueline Teixeira lattes
Orientador(a): SOUSA, Maisa Silva de lattes
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Pará
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Doenças Tropicais
Departamento: Núcleo de Medicina Tropical
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: http://repositorio.ufpa.br/jspui/handle/2011/9209
Resumo: O Vírus Linfotrópico de Células T Humanas é um oncoretrovírus associado a patologias hematológicas, neurológicas, oftalmológicas e dermatológicas. Atualmente são descritos outras manifestações clínicas que possívelmente podem estar associadas a efeitos diretos e indiretos, imunomediados, da ação do vírus sobre o organismo. As principais patologias descritas são a Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto (LLTA), Paraparesia Espástica Tropical/ Mielopatia Associado ao HTLV (PET/MAH), dermatite infecciosa (DI) e Uveite Associada ao HTLV. A transmissão do vírus pode ocorrer de forma vertical, na vida intra-uterina, na ocasião do parto ou, na maioria dos casos, através da amamentação. Também pode ser transmitido por via parenteral, através de hemotransfusão ou compartilhamento de agulhas e seringas contaminadas ou pelo contato sexual. No Brasil e no mundo, a literatura tem evidenciado que o HTLV infecta principalmente mulheres e afrodescendentes com idade acima de 50 anos. O objetivo desse estudo foi pesquisar a infecção pelo HTLV em mulheres remanescentes de quilombos de Santarém, região oeste do Estado do Pará. Foi realizada investigação em demanda transversal representativa de mulheres de núcleos familiares de dez comunidades remanescentes de quilombos, no período de 19 de outubro a 17 de dezembro de 2012. Amostras de sangue foram submetidas à pesquisa de anticorpos anti-HTLV, utilizando o ensaio imunoenzimático – ELISA e a Reação em Cadeia da Polimerase – PCR foi usada para a identificação do genótipo viral. A soroprevalência da infecção pelo HTLV foi de 0,46% (01/216), sendo confirmado HTLV-1 em mulher de 52 anos, que há treze apresenta manifestações dermatológicas, com diagnóstico histológico de eritema polimorfo ou multiforme. Nenhum dos oito familiares investigados (cinco filhos, o cônjuge e duas irmãs) tinha a infecção e a via de transmissão envolvida no processo infeccioso não foi confirmada. A prevalência por comunidade variou de 4,76% (1/21) na Pérola do Maicá a nula nas demais (Arapemã, Saracura, Nova Vista do Ituqui, São Raimundo do Ituqui, São José do Ituqui, Bom Jardim, Murumurutuba, Murumuru e Tiningu). Este estudo não diferiu estatisticamente das prevalências de dois outros, também realizados em populações quilombolas do Brasil. Esta notificação da circulação de HTLV-1 em comunidades afro-amazônidas, reforça a necessidade de implantação da triagem para o vírus nos serviços de públicos bem como ações de reciclagem dos profissionais de saúde.