Trajetória assistencial e desempenho escolar de crianças nascidas prematuras entre 2002 e 2004 e acompanhadas no Ambulatório de Crianças de Risco do Hospital das Clínicas da UFMG (ACRIAR)
Ano de defesa: | 2014 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Minas Gerais
UFMG |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://hdl.handle.net/1843/BUBD-9P8L6G |
Resumo: | Introdução: O acompanhamento de crianças nascidas prematuras indicam aumento da sobrevivência destes recém-nascidos e a diminuição da ocorrência de sequelas graves tais como a paralisia cerebral. No entanto, isso não exclui a possibilidade de alterações no desenvolvimento a médio ou longo prazo. Alterações do desenvolvimento, podem acometer diversas áreas (motora, comportamento, e desempenho escolar) e trazer repercussões que afetam a vida destas crianças. Em sua maioria essas alterações são sutis e não são percebidas. Na idade escolar estes prejuízos podem se tornar mais evidentes e dificultar a convivência destas crianças com seus pares bem como a adaptação em atividades sociais e acadêmicas. Objetivo: Investigar a trajetória assistencial e o desempenho escolar de crianças nascidas prematuras no Hospital das Clínicas da UFMG entre 2002 e 2004, sob a perspectiva das equipes de fonoaudiologia e fisioterapia/terapia ocupacional do Ambulatório de Crianças de Risco do Hospital das Clínicas da UFMG (ACRIAR). Métodos: Foi realizado estudo exploratório e analítico baseado na análise de prontuários de crianças nascidas prematuras no Hospital das Clínicas da UFMG, entre 2002 e 2004 e acompanhadas no Ambulatório de Crianças de Risco do Hospital das Clínicas da UFMG (ACRIAR). Foram analisados 182 prontuários, no período de maio a julho de 2013, com base em protocolo desenvolvido especificamente para esse fim. Foi realizada uma análise exploratória inicial e análise univariada para verificar associação entre as variáveis de exposição (condições de nascimento e características da amostra) e o desfecho (tempo de acompanhamento no ACRIAR), utilizando o teste ANOVA. Foram construídas curvas de sobrevida para estimar a probabilidade de ocorrer alterações do desenvolvimento, sob a perspectiva das equipes de fisioterapia/terapia ocupacional e fonoaudiologia ao longo do acompanhamento da criança no ACRIAR. Foi realizado um segundo estudo, do tipo observacional analítico transversal envolvendo 100 crianças nascidas prematuras entre 2002 e 2004, acompanhadas no Ambulatório da Criança de Risco (ACRIAR/UFMG) e sem incapacidades graves. A coleta de dados se estendeu de dezembro de 2011 a julho de 2012. Foi realizada entrevista individual com os pais e/ou responsáveis para o preenchimento do Questionário Estruturado, do Inventário de Recursos do Ambiente Familiar e do Strengths and Difficulties Questionnaire. Para avaliação das crianças foi utilizado o Teste de Desempenho Escolar (TDE), Avaliação Simplificada do Processamento Auditivo, o Token Test para avaliação da compreensão verbal, a prova de Fonologia do ABFW e o Teste de Vocabulário por Figuras/USP para avaliar o vocabulário receptivo. Os testes Qui-quadrado, Anova e Kruskal-Wallis foram utilizados para verificar a existência de associação entre o desempenho escolar e os fatores de risco. Foi realizada regressão logística utilizando modelo hierarquizado. Resultados: No estudo da trajetória foi identificado que, as crianças foram acompanhadas no ACRIAR, em média, por 5,81±2,02 anos, 5,8±2,02 anos pela equipe de fisioterapia/ terapia ocupacional e 4,19±2,35 anos pela equipe de fonoaudiologia (Teste t-student, p < 0,001). A probabilidade de uma criança que foi acompanhada no ACRIAR até os dois anos apresentar alteração no desenvolvimento foi de 2%, enquanto ao sete anos esta probabilidade subiu para 54%. Já no estudo transversal, quando os pais relataram que o desempenho escolar da criança era bom, a mesma teve 7,8 vezes mais chance do resultado do TDE ser médio/superior, do que quando eles achavam que o desempenho era ruim. A chance de uma criança que já necessitou de tratamento fonoaudiológico apresentar o desempenho escolar inadequado para a idade é quase 5 vezes maior do que a criança que não necessitou de tratamento. O fato de a criança ter apresentado alteração no vocabulário receptivo aumentou em 9,38 vezes a chance dela apresentar inadequação no desempenho escolar. Conclusão: A maioria das crianças que tiveram seus prontuários analisados permaneceram no ACRIAR até a alta, sendo que a adesão é maior ao acompanhamento na equipe de fisioterapia/terapia ocupacional do que na equipe de fonoaudiologia. Foi observado que quanto maior o tempo de acompanhamento da criança nascida prematura, maior a chance de se identificar alterações no desenvolvimento. Foi identificada elevada prevalência de alteração de desempenho escolar, o que foi coerente com resultados de outros estudos brasileiros. Apesar de não ter sido encontrada associação com significância estatística na análise multivariada, alguns fatores parecem ter relação com o mau desempenho escolar houveram fatores que pareceram ter relação com o mesmo são eles: escolaridade da mãe, recursos do ambiente familiar, condição sócio econômica da família, alteração de desempenho motor e alterações de comportamento. Os resultados demonstraram a importância do acompanhamento de prematuros até pelo menos o início da escolarização, época em que muitas crianças poderão apresentar suas primeiras dificuldades no desenvolvimento linguístico, cognitivo e até motor fino. |