Lean Healthcare: implantação da filosofia enxuta nas dosagens laboratoriais de gasometrias em um hospital universitário de alta complexidade

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2016
Autor(a) principal: Gustavo Oliveira Gonçalves
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Minas Gerais
Brasil
Programa de Pós-Graduação em Patologia
UFMG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/1843/32504
Resumo: O tempo de atendiemnto total (TAT) das gasometrias deve ser monitorado pelos laboratórios clínicos, pois influencia diretamente a viabilidade da amostra e a segurança assistencial ao paciente. Segundo a literatura, o intervalo entre a coleta e a liberação do resultado deve ser de até 20 minutos. Entretanto, na prática, nem sempre é possível atingir essa meta. Este trabalho teve como objetivo principal avaliar o impacto da implantação da filosofia Lean Healthcare – Saúde Enxuta – na realização de gasometrias no Serviço de Medicina Laboratorial do Hospital das Clínicas da UFMG. Conforme a metodologia D.M.A.I.C. – Definir, Medir, Analisar, Melhorar e Controlar, foi mapeado o processo de realização de gasometrias de rotina (80%) e urgência (20%) realizadas no serviço, através da observação de 242 amostras, da solicitação até a liberação dos resultados. Foi medido o TAT dos seguintes intervalos: entre a solicitação e a coleta (T1), entre a coleta e a entrega da amostra no setor técnico (T2), entre a entrega e o processamento no equipamento de gasometria (T3) e entre o processamento até a liberação do resultado (T4). Os tempos médios dos intervalos T1, T2, T3 e T4 foram, respectivamente: 30’38”, 19’36”, 11’34”, 29’38”. Uma pesquisa de satisfação interna em relação ao exame de gasometria foi conduzida com 40 médicos das Unidades de Terapia Intensiva do HC/UFMG. Segundo os entrevistados, o tempo de coleta das gasometrias da rotina agradou 73%, ao contrário do tempo da urgência, apenas 43%. Embora observado 85% de confiabilidade dos resultados, 70% criticou o tempo de liberação dos mesmos. A estabilidade das amostras foi verificada, comparando-se os resultados dos parâmetros (pH, PO2, PCO2, lactato, hematócrito, sódio, potássio, cálcio e glicose) medidos nas gasometrias processadas em diferentes intervalos de tempo. Não houve diferença significativa entre os resultados das gasometrias quando processadas até 60 minutos após coleta. Critérios de autoverificação de resultados da gasometria foram criados e implantados no Sistema de Informação Laboratorial (SIL) e no middleware, levando a uma redução de 26,5% na liberação manual de resultados. Pesquisou-se ainda o desempenho de um teste laboratorial remoto (TRL) para gasometria em relação ao equipamento padrão, cujos resultados demonstraram boa correlação analítica, além da redução de 68% do TAT. Grupos de trabalho foram criados para definição das intervenções e mudanças necessárias. Diversas intervenções nos processos das gasometrias com foco no TAT foram propostas, visando redução dos desperdícios. Concluindo, foi possível otimizar as etapas pré-analíticas, analíticas e pósanalíticas e reduzir o tempo de entrega dos resultados das gasometrias no serviço, por meio de intervenções e mudanças nos processos de trabalho, seguindo os princípios da filosofia Lean Healthcare