O saber investido no corpo-si: uma contribuição para a formação da enfermeira que atua em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Juliana Cristina de Lima Mendes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Minas Gerais
Brasil
FAE - FACULDADE DE EDUCAÇÃO
Programa de Pós-Graduação em Educação e Docência
UFMG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://hdl.handle.net/1843/60769
Resumo: Os avanços tecnológicos e a introdução de recursos humanos mais especializados têm beneficiado o campo da saúde, em especial a neonatologia, com a utilização de modernos e terapêuticos equipamentos, que permitem oferecer suporte e clínicas mais eficazes para manutenção da vida e sobrevida dos recém-nascidos, cada vez mais prematuros, mesmo que em condições de extrema gravidade. Como consequência, o nível de complexidade da assistência de uma Unidade Neonatal tem se elevado, uma vez que os recursos terapêuticos avançados permitem o suporte vital necessário para os recém-nascidos em estado crítico, aumentando as chances de sobrevivência e recuperação, o que tem trazido desafios adicionais aos profissionais de saúde que atuam nesse setor, ao lidar com casos cada vez mais complexos, que exigem atenção mais intensiva, altamente especializada e treinada por parte de toda equipe de saúde. Dessa forma, este estudo teve, por objetivo, compreender o gesto que explicita o saber investido no corpo-si da enfermeira que o permite preencher a distância entre o trabalho prescrito e o trabalho real em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). A pesquisa foi desenvolvida com base na utilização do método qualitativo e empregou, como instrumento de produção de dados, a técnica da autoconfrontação simples e cruzada, a partir da abordagem ergológica. Os resultados foram apresentados a partir das seguintes categorias: 1) Normas antecedentes e o vivenciado nas situações singulares de trabalho; 2) O corpo-si; 3) Dramáticas do uso de si, o uso de si por si mesmo e uso de si pelos outros; 4) Entidades Coletivas Relativamente Pertinentes; 5) Saberes investidos, saberes constituídos ou formais; 6) Gestos no trabalho. A partir de cada categoria, os conceitos foram aprofundados, discutidos e confrontados com as situações apresentadas. Foi revelado que o trabalho das enfermeiras é um trabalho demasiadamente constrangido, engessado, descrito e prescrito em documentos normatizadores. Observou-se que ao contrário da estabilidade dos procedimentos operacionais padrão sistematizados na UTIN, como forma de prescrever o conjunto das tarefas a serem executadas e de limitar esse profissional de fazer qualquer tipo de escolha, a atividade das enfermeiras emergiu como uma dramática do uso de si, que se desdobrou no uso de si por si mesma e no uso de si pelo outro, algo dinâmico e enigmático a promover uma permanente articulação entre atividades, saberes e valores. Couberam à enfermeiras participantes da pesquisa vivenciar as dramáticas do uso de si frente às normas antecedentes e de se apropriar do meio, fazendo deste meio seu, como patrimônio, por meio da renormatização em que direcionou e singularizou a sua prática, considerando a singularidade de cada situação e a realização de micro-escolhas geridas permanentemente frente às insuficiências dos instrumentos prescritivos incapazes de antecipar o conjunto das possibilidades presentes e futuras de uma determinada situação de trabalho. Os resultados também demonstraram que as enfermeiras, foram capazes de agregar valor à assistência, ofereceram cuidados individualizados e promoveram a humanização no ambiente de trabalho.