Razão e coração na antropologia de Rousseau: uma leitura de Émile
Ano de defesa: | 2003 |
---|---|
Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Minas Gerais
UFMG |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
País: |
Não Informado pela instituição
|
Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://hdl.handle.net/1843/BUBD-9R8JPQ |
Resumo: | Para trabalhar os conceitos de razão e coração (sentimento) no pensamento de Rousseau, tentamos mostrar que ele elabora um conceito novo de razão, cuja função é diferente da sugerida por seus contemporâneos. Mais ainda, propusemos a hipótese de que,além de designar um lugar novo para a razão, sua maior inovação acontece quando propõe um outro conceito de sentimento, dando-lhe uma função c uma importância que até então não possuía. Neste sentido, partimos da suposição da existência de um dualismo entro razão e sentimento na filosofia de Rousseau, mas chegamos enfim à conclusão de que não há este dualismo, mas deve haver antes uma íntima união ou hamionia entre eles para que a moralidade humana seja alcançada. A moral rousseauniana é também muito inovadora, porser uma moral do sentimento, que nem por isso exclui a razão, já que seu conceito de sentimento é bastante amplo e chega a englobar inclusive a razão. A moral em Rousseau demanda então a presença de razão e de sentimento, mas exige ainda um terceiro fator: a descoberta, por parte do indivíduo, da religião. No entanto, para atingir sua finalidade, não basta que o indivíduo se tome moral, ele deve ainda fazer a passagem para a sociabilidade o para a civilidade. Poderíamos então dizer que a plenitude da natureza humana cm Rousseau é alcançada quando o indivíduo atinge a moralidade, a sociabilidade e a civilidade, através da harmonia da razão e do sentimento. Esta seria então a plenitude da natureza do homem social, que não pode incluir nem a criança, nem o homem selvagem, já que eles não desenvolvem os elementos apontados acima, mas se limitam ao amor de si e à razãosensitiva. Poderíamos então afirmar que a criança e o homem selvagem não estão aptos para atingir a plenitude da natureza humana? Acreditamos que Rousseau não faz essa afirmação, mas propõe a existência de duas naturezashumanas; a do homem social - queengloba razão, sentimento, moralidade, sociabilidade e civilidade - e a do homem selvagem e da criança - que é bem mais simples que a do homem social e compreende o amor de si e a razão sensitiva. Rousseau demonstra claramente sua preferência pela primeira, mas não despreza a segunda, pois, levando em conta o estado desnaturado e corrompido a que legaram os homens, a natureza simples do homem selvagem seria ainda preferível. |