Eles fala, nois cala: como a escola tem enfrentado o desafio de ensinara oralidade a seus alunos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Teixeira, Josina Augusta Tavares lattes
Orientador(a): Cyranka, Lúcia Furtado de Mendonça lattes
Banca de defesa: Rocha, Ana Paula Antunes lattes, Magalhães, Tânia Guedes lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Educação
Departamento: Faculdade de Educação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/659
Resumo: A Lei de Diretrizes e Bases de 1996 democratizou o ensino Fundamental e Médio, instituindo sua gratuidade e obrigatoriedade, trazendo, para a escola, representantes das classes sociais desprestigiadas, com sua multiplicidade de variações linguísticas estigmatizadas. Porém a Escola, detentora do patrimônio cultural e da quase exclusividade de seu repasse, seguiu privilegiando a escrita e negligenciando um trabalho didático pautado pelos princípios sociolinguísticos. Como consequência, a oralidade, a despeito de sua centralidade nos eventos intercomunicacionais, viu-se relegada a espaços exíguos no ensino de Língua Portuguesa e nos compêndios didáticos. Entretanto, imposições contemporâneas têm mobilizado agências educacionais e teóricos de diversas áreas para o redimensionamento da questão. Coerentemente com esse novo olhar, o presente trabalho visou demonstrar a viabilidade da implementação de uma pedagogia da variação linguística. Para comprovar essa assertiva, efetivei uma pesquisa-ação através de uma práxis didática composta de ações pontuais, regulares, denominadas “Oficinas de oralidade”, desenvolvidas durante o ano letivo de 2012, em uma escola municipal de classe média baixa, e em um colégio federal, campo de aplicação da UFJF, de classe média, no primeiro semestre do ano letivo de 2013, com alunos de quinto ano do Ensino Fundamental. As atividades oportunizaram, aos discentes, o uso dos recursos próprios das variedades linguísticas cultas na modalidade oral, sendo esse desenvolvimento de competências compreendido como uma ação de empoderamento (FOUCAULT, 2007). A proposta pautou-se pelos pressupostos sociolinguísticos de respeito e legitimação da heterogeneidade linguística, entendendo-se a língua como entidade sócio-político-cultural. Compôs-se de trabalhos didáticos que contemplaram gêneros orais de maior penetração social. Os distanciamentos das normas cultas praticados pelos aprendizes, evidenciados nessas atividades didáticas, foram registrados, analisados, categorizados, constituindo material para posteriores atividades didáticas. Na realização da pesquisa, contei com a parceria preciosa das professoras de Língua Portuguesa das duas turmas pesquisadas, apoiando-me mais pontualmente nas teorias defendidas por Bagno (2010), Faraco (2008), Gadotti (1979), Koch e Elias (2011), Marcuschi (2005), Mollica (2007), Bortoni-Ricardo (2011). Como proposta desta última autora, utilizamos os três continua que sugerem uma análise a partir dos eixos: rural/urbano, oralidade/letramento, monitoração estilística. Os resultados da pesquisa apontaram uma avaliação positiva no trato didático com a oralidade: envolvimento dos alunos, com significativo interesse, nas atividades propostas; ampliação da capacidade de reflexões sobre as variações linguísticas e seu condicionamento sócio-histórico-cultural; apropriação dos conceitos orientadores dos três continua; aquisição e utilização de recursos próprios da oralidade culta.