Papel da resposta imune celular da obesidade na progressão do carcinoma mamário experimental

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Evangelista, Gabriela Coeli Menezes lattes
Orientador(a): Gameiro, Jacy lattes
Banca de defesa: Martins, Mariana Renovato lattes, Maranduba, Carlos M. C. lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Ciências Biológicas: Imunologia e Doenças Infecto-Parasitárias/Genética e Biotecnologia
Departamento: ICB – Instituto de Ciências Biológicas
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/5596
Resumo: Atualmente a obesidade é um problema de saúde pública, que afetar todas as idades, classes sociais e regiões do planeta. Segundo dados da OMS de 2016, 13% da população adulta é considerada obesa. No Brasil 12,4% dos homens e 16,9% das mulheres acima de 18 anos foram considerados obesos, em 2011, pelo Ministério da Saúde. O câncer de mama é o único câncer diagnosticado em todas as regiões do planeta e, segundo a Sociedade Americana de Câncer, em 2012, o câncer de mama foi responsável por 25% dos novos casos e matou mais de meio milhão de mulheres. As brasileiras também sofrem com o tumor de mama que é o mais diagnosticado no Brasil, segundo dados de 2016 do INCA. A obesidade duplica a chance de desenvolver câncer de mama e isso está relacionado à inflamação crônica de baixo grau instaurada pelo acúmulo de gordura que recruta células inflamatórias secretoras de citocinas, quimiocinas e fatores de crescimento, aumentando a inflamação. Nesse contexto as células mamárias malignas se apropriam dessa inflamação e seus mediadores para promover sua sobrevivência, proliferação, disseminação e metástase. Para identificarmos o papel da obesidade no tumor mamário, utilizamos o modelo experimental de câncer de mama murino 4T1 em animais Balb/c fêmeas alimentadas por 16 semanas com dieta padrão ou dieta hiperlipídica (60% das quilocalorias são lipídeos). Cada animal foi pesado semanalmente e o consumo médio diario de ração foi calculado. Ao final das 16 semanas mais os 21 dias de injeção do tumor, os animais foram eutanasiados para a quantificação do peso das gorduras perigonadais e retroperitoniais e remoção dos linfonodos inguinais drenantes do tumor para realização da citometria de fluxo. Os resultados indicaram que os animais alimentados com HFD, ganharam mais peso mesmo consumindo menos ração em relação, aos animais alimentados com dieta padrão. Esse ganho de peso refletiu em uma maior adiposidade nos obesos, devido ao maior peso das gorduras perigonadais e retroperitoniais. Além disso, os animais obesos apresentaram um maior Índide de Lee em relação aos controles. Nosso trabalho indicou uma queda generalizada da resposta imune contra tumor, pois observamos uma diminuição no número de células totais dos linfonodos drenantes do tumor, refletindo num menor número de células dendríticas e macrófagos, que apresentaram menor ativação com baixas expressões dos co-estimuladores CD80 e CD86; e numa redução da resposta adaptativa, tanto no número de células efetoras como linfócitos auxiliares e citotóxicos quanto no número de células reguladoras como os linfócitos Breg e Treg. Além disso, também observamos um desbalanço entre a citocina inflamatória IFN-γ e a citocina anti-inflamatória IL-10, produzidas por linfócitos CD4+ e CD8+. Em conjunto, nossos dados nos permitem concluir que a obesidade afeta diretamente o sistema imune através da diminuição da resposta celular contra o tumor como um todo, essa regulação pode ser devido a modulação da hematopoiese e indução de células MDSC.