Assistência oncológica a mulheres com câncer de mama: avaliação da qualidade de vida e dos tempos de espera para diagnóstico e tratamento

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Campos, Angélica Atala Lombelo lattes
Orientador(a): Guerra, Maximiliano Ribeiro lattes
Banca de defesa: Souza, Dyego Leandro Bezerra de lattes, Latorre, Maria do Rosário Dias de Oliveira, Leite, Isabel Cristina Gonçalves
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva
Departamento: Faculdade de Medicina
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://doi.org/10.34019/ufjf/di/2022/00418
https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/14676
Resumo: Contexto: o tempo de espera prolongado para diagnóstico e início do tratamento do câncer de mama usualmente resulta no diagnóstico da doença em estádios avançados e assim, requer terapêuticas mais agressivas que afetam diretamente a qualidade de vida das pacientes. Objetivo: Avaliar a assistência oncológica às mulheres diagnosticadas com câncer de mama a partir da análise da qualidade de vida e do tempo de espera para diagnóstico e início do tratamento, bem como analisar os fatores associados em um Centro de Referência em Oncologia da Zona da Mata Mineira. Método: para avaliação do tempo de espera - coorte retrospectiva com 477 mulheres diagnosticadas com câncer de mama entre 2014-2016. As análises foram realizadas pelo método de Kaplan-Meier e pelo modelo de regressão de Cox. Para análise da qualidade de vida e a associação entre o tempo de espera e a qualidade de vida - estudo transversal com 101 mulheres diagnosticadas com câncer de mama entre 2014 e 2016. A qualidade de vida foi avaliada através dos questionários EORTC QLQ-C30 e BR-23. Foram utilizados os testes T de student, U de Mann-Whitney e Kruskal–Wallis com post-hoc de Dunn. Resultados: o tempo mediano para diagnóstico foi de 70 dias, sendo menor para mulheres que descobriram a doença por exames de rastreamento e diagnosticadas em estádios iniciais. O tempo mediano para o tratamento foi de 32 dias, sendo menor para as mulheres assistidas pela rede privada, com alta escolaridade e diagnosticadas em estádios iniciais. Em relação à qualidade de vida, no questionário QLQ – C30, observou-se escore mediano na escala de saúde global de 75,0 (IQ=33,33), escore médio na escala funcional de 75,99 (DP=19,26) e escore médio na escala de sintomas de 19,67 (DP=16,91). No questionário QLQ – BR23, foi verificado escore médio na escala funcional de 61,89 (DP=17,21) e escore médio na escala de sintomas de 21,21 (DP=16,94). Identificou-se melhores escores de qualidade de vida entre as mulheres com idade superior a 50 anos, de raça negra, com mais de 8 anos de estudo completos, que viviam com companheiro, que exerciam atividade remunerada, que foram assistidas pela rede privada, com renda per capita acima de meio salário mínimo, das classes econômicas A, B e C, que residiam no município sede do serviço, que referiram fazer algum tipo de atividade física, que não reportaram uso de tabaco, que tinham maior escore na escala de religiosidade, que dispunham de maior apoio social, que não apresentavam sobrepeso, que não possuíam comorbidades e que foram submetidas à setorectomia. Observaram-se maiores níveis de qualidade de vida entre as mulheres que tiveram o diagnóstico e tratamento da doença em menor tempo. Conclusão: Constatou-se a relação entre os fatores sociodemográficos, comportamentais e clínicos e o tempo de espera e qualidade de vida de mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Intervenções para promover a saúde e reduzir as iniquidades no acesso aos serviços de saúde podem contribuir para reduzir o tempo de espera para assistência oncológica e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida mesmo após três anos do diagnóstico da doença.