Narrativas de mulheres das classes populares: modos de subjetivação e educação escolar

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2014
Autor(a) principal: Mattos, Zaine Simas lattes
Orientador(a): Ferrari, Anderson lattes
Banca de defesa: Xavier Filha, Constantina lattes, Meyer, Elizabeth Estermann lattes, Marques, Luciana Pacheco lattes, Rotondo, Margareth Aparecida Sacramento lattes, Souza, Marcos Lopes de lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Juiz de Fora
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-graduação em Educação
Departamento: Faculdade de Educação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufjf.br/jspui/handle/ufjf/802
Resumo: A presente tese apresentou como tema de pesquisa os atravessamentos de classe e gênero nos modos de subjetivação de mulheres das classes populares. Tendo como campo inicial uma escola pública municipal, a Escola Municipal Bom Pastor – EMBP, que atendia e atende a mulheres das classes populares, interessei-me pelas narrativas no que tange às suas relações com a educação escolar, apresentando a seguinte questão de investigação: de que modos as mulheres participantes da pesquisa narram as suas relações com a educação e como essas relações são atravessadas por classe e gênero? O material empírico foi construído a partir de entrevistas narrativas ressignificadas, em que as próprias mulheres se narram e, com isso, significam as suas experiências de vida, entrelaçadas aos processos de escolarização. Para compor o material empírico, desenvolvi estudos sobre a história da escola, lócus inicial da pesquisa, bem como das relações que as mulheres estabeleciam/estabelecem com esse espaço. Fiz incursões nos bairros nos quais moravam as participantes e anotações em diário de campo a respeito dessas incursões e de minhas impressões sobre as entrevistas. A pesquisa apresentou um recorte geracional, trabalhando com ex-alunas da escola campo que tinham filhos/as nessa escola, bem como com as mães dessas ex-alunas. A partir de um referencial teórico-metodológico que privilegia os Estudos Feministas e de Gênero, os Estudos Culturais e os Estudos Foucaultianos por um viés pós-estruturalista, trabalhei com as categorias classe e gênero, buscando pelas experiências/modos de subjetivação, formações discursivas e práticas que posicionavam as mulheres em relação à educação escolar. As narrativas apontaram para a percepção da escolarização como um imperativo na vida dessas mulheres, mostrando-a como um modo de “ser alguém na vida”. E, tanto a realização nesse campo, quanto o “insucesso” se mostraram atuantes nos seus modos de subjetivação. O corte geracional apontou para mudanças nas formas de compreender a educação escolar que a princípio era vista como um privilégio de poucos/as, passando a ser um direito, chegando, na atualidade, a ser percebida como um imperativo para a inserção social. As contingências de classe fizeram-se presentes, trazendo a maternidade, a sobrevivência, as construções familiares, de masculinidades e feminilidades como questões que interferem na relação com a educação escolar. A pesquisa apontou, ainda, para a invisibilidade/silenciamento das questões de cor/raça no que tange à aproximação e ao distanciamento da educação escolar. Por fim, trago as considerações finais sobre a pesquisa e aponto para possíveis novas interrogações.