Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2025 |
Autor(a) principal: |
Souza, Ana Luiza de Figueiredo |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://app.uff.br/riuff/handle/1/36252
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Resumo: |
Em um contexto plataformizado, de valorização do indivíduo (considerado) autônomo, disputas de projetos políticos e crise climática, surgem em anos recentes comunidades on-line de/para mulheres sem filhos. Junto a esse fenômeno, as plataformas digitais passam a mediar debates em torno da vivência da não maternidade. A tese investiga a relação entre o estabelecimento dessas comunidades e disputas ideológicas em torno tanto da identidade quanto do papel social das mulheres. Para isso, une discussão teórica e pesquisa empírica inédita, dividida em duas etapas: circulação de questionário on-line para participantes de comunidades voltadas às mulheres sem filhos e entrevistas tanto com criadoras quanto com integrantes dessas comunidades que responderam ao questionário on-line. A abordagem qualiquantitativa foi adotada para realizar a análise dos dados produzidos, sendo as entrevistas apresentadas e discutidas pelo método compreensivo, de Jean-Claude Kaufmann. No primeiro capítulo, são apresentados o caminho argumentativo da pesquisa, as bases teóricas e demais trabalhos empíricos com os quais ela dialoga. No segundo capítulo, são explicados o cenário de plataformização que atravessa o fenômeno investigado e os procedimentos metodológicos empreendidos. No capítulo três, são feitas a apresentação e a discussão dos dados produzidos pela primeira etapa empírica da tese, o questionário on-line. No capítulo quatro, é desenvolvida a análise da segunda etapa empírica da pesquisa, as entrevistas com criadoras/administradoras e participantes de comunidades on-line de/para mulheres sem filhos. A amostra produzida tem características significativamente distintas da população geral brasileira — super-representação de mulheres brancas, negras, amarelas, bissexuais, pansexuais, assexuais, solteiras, casadas, das regiões Sudeste e Sul, com ensino superior completo; sub-representação de mulheres pardas, heterossexuais, das regiões Nordeste e Norte, religiosas. Mesmo assim, há significância estatística na maioria dos cruzamentos da análise. A tese conclui que a busca por identificação é o principal motivador das participantes para procurarem conteúdo e grupos/páginas/contas sobre não maternidade. A percepção desses grupamentos como comunidades varia de acordo com a importância que têm para cada mulher ao longo da trajetória de sem-filhos, junto ao senso de pertencimento e a qualidade das trocas com outras participantes. Tais comunidades — estabelecidas social e materialmente, sendo essa materialidade tão volátil quanto opaca — também possibilitam a (re)elaboração de imaginários sobre a não maternidade e aquelas que a vivenciam. Enquanto a vida sem filhos é entendida pela sociedade civil e pelo poder público como problema individual, a ser resolvido apenas no âmbito particular, as comunidades on-line aqui analisadas aparecem como parte da resposta a essa privatização, de modo a trazerem a não maternidade para um debate que se realiza coletivamente. Ao final, são feitas algumas considerações que situam as mulheres sem filhos como as peças mais visíveis de uma série de movimentações que ameaçam a organização social, a propriedade privada e o sistema econômico que a família nuclear monogâmica heteronormativa centrada na espécie humana foi desenhada para proteger. |