Revegetação de área degradada da caatinga por meio da semeadura ou transplantio de mudas de espécies arbóreas em substrato enriquecido com matéria orgânica.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2008
Autor(a) principal: SALES, Francisco das Chagas Vieira.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal de Campina Grande
Brasil
Centro de Saúde e Tecnologia Rural - CSTR
PÓS-GRADUAÇÃO EM ZOOTECNIA
UFCG
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/jspui/handle/riufcg/3540
Resumo: A exploração da caatinga se baseia na agricultura de subsistência, pecuária extensiva e corte da vegetação lenhosa para a produção de energia. Estas ações e o clima tropical seco resultam em extensas áreas sem cobertura vegetal e com altos índices de degradação. Visando testar técnicas para reverter este quadro, foram implantados dois experimentos na Fazenda NUPEARIDO/UFCG, Patos (PB). O primeiro avaliou a adição de esterco bovino e a semeadura das espécies arbóreas nativas Mimosa tenuiflora, Caesalpinia pyramidalis, Anadenanthera macrocarpa e Tabebuia caraíba na revegetação de uma área degradada. Constou de 2x2 tratamentos fatoriais (fator 1: sem e com adição do equivalente a 120m3 de esterco bovino por hectare, e fator 2: sem e com semeadura do equivalente a 14 milhões de sementes/ha) aleatorizados em parcelas quadradas de 0,25m2 dispostas no delineamento em blocos casualizados com duas repetições de tratamentos por bloco, e foi conduzido de março de 2006 a março de 2008. A adição de esterco e a semeadura destas espécies mostraram-se inviáveis. Nenhuma plântula se estabeleceu e persistiu na área por mais de um ano. O segundo experimento testou a adubação orgânica na regeneração natural de espécies lenhosas nativas, e avaliou o potencial de revegetação de área degradada da caatinga com mudas de Mimosa tennuiflora e Caesalpinia pyramidalis transplantadas para covas enriquecidas com esterco. O experimento foi conduzido de acordo com o delineamento em blocos casualizados com 4 tratamentos (T0-sem cova, sem adição de esterco, sem transplantio de muda; T1-com cova, com adição de esterco na cova, sem transplantio de muda; T2-com cova, com adição de esterco na cova, com transplantio de mudas de M. tenuiflora; e T3-com cova, com adição de esterco na cova, com transplantio de mudas de C. pyramidalis), seis blocos e duas repetições de tratamento por bloco. As parcelas foram subdivididas no tempo (abril, julho e novembro de 2005). As parcelas de 9x9m2 continham nove mudas plantadas no espaçamento 3x3m2. Foram avaliados a sobrevivência e o desenvolvimento das mudas entre abril de 2005 e junho de 2008. Não foi observada regeneração natural de espécies lenhosas nas parcelas dos tratamentos T0 e T1. Em junho de 2008, foram observadas 3 e 65 mudas de, respectivamente, C. pyramidalis e M. tenuiflora sobreviveram (respectivamente 2% e 36% das mudas transplantadas para o campo). Nesta data, as mudas sobreviventes de M. tenuiflora atingiram o comprimento médio de 177,5 cm/planta e o diâmetro basal médio de 24,8 mm/planta. Estas sobreviventes equivaleram a 658 mudas de M. tenuiflora por hectare, enquanto a regeneração natural observada no período na área próxima ao experimento correspondeu a 24 indivíduos de M. tenuiflora por hectare. Conclui-se que a adição de matéria orgânica em pontos localizados não resultou em regeneração natural de espécies lenhosas em área degradada da caatinga, e que o processo de revegetação pode ser abreviado pelo transplantio de mudas de M. tenuiflora para covas enriquecidas com matéria orgânica. O transplantio de mudas de C. pyramidalis mostrou resultados insatisfatórios. Espera-se que estas informações possam ajudar a todos os interessados na revegetação de áreas degradadas da caatinga, e façam com que os estudos no tema prossigam e resultem em práticas de manejo florestal que tornem a revegetação das extensas áreas degradadas de caatinga factível em um futuro próximo.